sexta-feira, 13 de setembro de 2019

'Na defesa da democracia, vamos tocar fogo na rua', diz Ciro Gomes sobre tuíte de Carlos Bolsonaro

'O Brasil não cabe na esquerda', diz ex-governador do Ceará, terceiro colocado nas eleições de 2018, que é contra uma frente de esquerda com participação do PT: 'eles querem subjugar o pensamento progressista ao pragmatismo deles, ao hegemonismo deles'© Felix Lima/BBC News Brasil 'O Brasil não cabe na esquerda', diz ex-governador do Ceará, terceiro colocado nas eleições de 2018, que é contra uma frente de esquerda com participação do PT: 'eles querem subjugar o pensamento progressista ao pragmatismo deles, ao hegemonismo deles'
Ciro Gomes não foi a Paris no segundo turno das eleições de 2018.
"Na verdade, fui fazer uma viagem a Portugal, porque saí de Fortaleza. É a passagem mais barata, classe econômica", explica.
Em entrevista a BBC News Brasil, o ex-ministro, que concorreu contra Jair Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) na disputa pela Presidência, diz não se arrepender de sair do Brasil durante o pleito, decisão que ainda o persegue nas redes sociais. Nos comentários a seus posts, é fácil encontrar um "mas você não estava em Paris?".
Não havia razão para ficar, argumenta Gomes, que fez 12% dos votos no primeiro turno, contra 29% de Haddad. Para ele, a derrota do petista era iminente e seu apoio não faria diferença alguma, o que teria ficado claro na análise dos números. Ele afirma que também não se arrepende de não ter apoiado Haddad, mesmo dizendo que o governo de Bolsonaro é muito pior do que imaginava.
"O Haddad, na minha opinião, sendo uma boa pessoa, entrou nisso como consequência de uma grande fraude que estava perdida de véspera. Pouco importa que atitude eu tomasse, a grande força dominante no debate brasileiro era o antipetismo."
O pedetista afirma também que não vê Bolsonaro como uma ameaça à democracia, mas um destruidor das tradições republicanas do país. Cobra, no entanto, um posicionamento mais claro do presidente em relação às declarações do seu filho, Carlos Bolsonaro, a quem o ex-candidato à Presidência chama de "percevejo" e que, esta semana, foi alvo de críticas depois de afirmar nas redes sociais que "a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade almejada pelas vias democráticas".
"Estou pedindo que o Bolsonaro fale claramente sobre isso, porque esse menininho [Carlos] é um percevejo, é irrelevante", diz. "Agora, se é isso que pensa o Bolsonaro, a gente precisa dizer com clareza para ele que a imoralidade do PT nos divide, a agenda de costumes tosca nos divide, mas na defesa da democracia nós vamos tocar fogo na rua, fique seu Bolsonaro sabendo. Ele que não avance na direção disso, porque a minha geração sabe o que custou retomar a democracia e ele se elegeu por conta de democracia", continua Gomes, que também afirma já estar em campanha para 2022.
"O que eu quero ser está dito, já tentei ser três vezes. E meu partido quer que eu seja e eu topo ser."
Leia os principais trechos da entrevista abaixo.
BBC News Brasil - O senhor não tem um mandato hoje. O que anda fazendo? Estudando astrofísica, como gosta? Pode descrever sua rotina?
Ciro Gomes - Sou advogado e faço palestras pelas quais me remunero também, mas eu estudo compulsivamente. Há coisas que eu estudo por dever de ofício: Brasil, as conjunturas, as evoluções dos indicadores, os números, as prospecções, enfim, me mantenho permanentemente atualizado dos movimentos. Praticamente passo três, quatro dias em casa, por doze, dez fora de casa, atendendo a convites de palestras.
Me remunero por instituições privadas e não cobro para estudantes, sindicatos, enfim, e procuro num certo ambiente fazer a compreensão do que está acontecendo com o Brasil e, a partir da denúncia dos problemas, formular estratégias, caminhos alternativos.
Nas horas vagas, evidentemente, eu continuo especulando sobre cosmologia, astrofísica, que são limites do conhecimento humano que mexem muito com a minha cabeça.
BBC News Brasil - O ex-presidente Lula foi eleito na quarta campanha, e sua quarta pode acontecer em 2022, como o sr. já comparou. Como está essa ideia de campanha?
Gomes - O que já está acontecendo e o que vai acontecer no Brasil é tão caloroso, é uma confusão tão gigantesca, que há um poder de combustão imenso nessa crise.
Haverá momentos gravíssimos nos próximos seis meses, um ano, um ano e meio, na medida que a ilusão da retórica do Bolsonaro se revelará completamente vã e eu não sei como ele vai reagir a isso, não escapa da minha visão uma renúncia, porque ele não tem psicologia para isso, não tem formação para o contraditório. Ele é uma figura gravemente despreparada e o mundo está, lamentavelmente, vendo isso de uma forma tosca, grosseira, de maneira que o que vai restar do que está hoje ninguém sabe.
'Em 2014, engoli muito cocô com arame farpado para curar a rejeição da Dilma'© Felix Lima/BBC News Brasil 'Em 2014, engoli muito cocô com arame farpado para curar a rejeição da Dilma'
BBC News Brasil - O senhor já chamou Bolsonaro de "adolescente tuiteiro", "canalha, corrupto e irresponsável", "imbecil, 'com problema de armário'", "fascista" e mais recentemente "de um verdadeiro macaco em casa de louça", por causa das reações internacionais que suas declarações sobre Emmanuel Macron e Michelle Bachelet causaram. O que o senhor esperava do governo Bolsonaro? É diferente do que está vendo hoje?
Gomes - É bem pior. (...) Eu imaginava que, uma vez eleito, e muito despreparado, como sempre soube que ele era, o Bolsonaro iria fazer um esforço, dentro dessa engrenagem da Presidência da República, de acionar a inteligência, a reflexão, para poder minimizar os erros.
E qual não é minha desagradabilíssima surpresa, eu, que já não esperava nada a não ser o que eu já conheço do Bolsonaro, quando vejo ele montar um governo que tem uma fração, liderada pelo Guedes, que não conhece o Brasil. E que firma uma agenda absolutamente destruidora do nosso tecido econômico (...).
O núcleo razoável do governo tem esse problema, não conhece o Brasil. Depois tem um núcleo que é, eu diria a você, da ilha da fantasia. O guru intelectual dessa gente põe em dúvida a esfericidade do planeta, é adepto ou pelo menos acha que precisamos por em perspectiva a teoria da Terra plana e, recentemente, só para ficar na última declaração, disse que os Beatles são semianalfabetos e tocavam muito porcamente. Dizer isso para um inglês é de rir para não chorar.
Depois tem um núcleo que é, assim, inacreditável, gente que não tem capacidade de servir, que é o núcleo militar. Esse núcleo militar imaginou que num país latino-americano, de tradição autoritária, e no qual a intervenção das sargentadas ciclicamente acontecia na nossa história, iria tutelar o Bolsonaro, por quem eles têm um profundo desprezo. E está sendo o oposto. (...)
BBC News Brasil - O senhor foi muito criticado por uma viagem a Paris que fez depois do primeiro turno e, nas redes sociais, alguns eleitores disseram que se sentiram incomodados porque o senhor viajou num período tão decisivo para o Brasil. Como responde a isso? Foi o momento adequado para fazer a viagem?
Gomes - Foi. Foi porque eu fiz aquilo que era o limite mínimo para guardar coerência com o que eu estava pensando no Brasil. Um: que o Haddad tinha perdido a eleição já de véspera porque vamos lembrar que o Haddad é uma fraude. Ou a gente vai esquecer?
O Haddad é uma fraude cuja origem eu denunciei ancestralmente, porque foi transformado num vice, convidou a Manuela para ser um terceiro não sei de quê de uma candidatura do Lula. Toda burocracia do PT sabia, como todas as pedras no caminho sabiam, menos o nosso povo mais simples, que o Lula não podia ser candidato por uma lei que ele próprio colocou em vigor, a lei da ficha limpa.
'Haverá momentos gravíssimos nos próximos seis meses, um ano, um ano e meio, na medida que a ilusão da retórica do Bolsonaro se revelará completamente vã e eu não sei como ele vai reagir a isso, não escapa da minha visão uma renúncia'© Reuters 'Haverá momentos gravíssimos nos próximos seis meses, um ano, um ano e meio, na medida que a ilusão da retórica do Bolsonaro se revelará completamente vã e eu não sei como ele vai reagir a isso, não escapa da minha visão uma renúncia'
E toda semana no primeiro turno o Haddad ia a Curitiba. O Brasil não precisa de um presidente por procuração. Aquilo estava perdido. Como eu ficava? Ficava aqui e a imprensa me perguntando todo dia por que eu não ia para o palanque e eu ia ter que dizer ou eu, para não atrapalhar, saía. Optei por sair. Eu sou livre. O que eu estou devendo para essa gente? Nada. Me esfolei de trabalhar, lutei, cansei de dizer para todo mundo o que as pesquisas diziam: eu, Ciro Gomes, ganharia as eleições do Bolsonaro no segundo turno.
Por que não se cogita o inverso? Por que o PT nem de longe, nem remotamente, cogitou retirar a candidatura?
Se quer me criticar, por que que não inverte? Ele perdia em todas as simulações e eu ganhava em todas as simulações.
BBC News Brasil - Tem também o simbolismo da viagem...
Gomes - Deixa eu falar. Em 2014, eu engoli muito cocô com arame farpado para curar a rejeição da Dilma. Foi isso que me pediram para fazer de novo. Em 2010, o Lula inventou a Dilma para continuar mandando no país, botando na Presidência da República uma pessoa que não tinha nenhuma experiência política e eu fui lá e ajudei.
Em 2006, eu tirei minha candidatura e apoiei o Lula na reeleição dele. E não era trivial, não, porque havia o escândalo do mensalão. Essa petezada agressiva agora afrouxou toda, correu todo mundo embora, e eu estava seis e meia da manhã todo dia para esconjurar esse golpe. Em 2002, apoiei o Lula no segundo turno. Não chega, não? Até quando eu vou ter que engolir em nome de uma pseudounidade que essa gente se aproprie o país, roube feito um condenado, se acostume com a vida e as frivolidades da burguesia?
O que aconteceu com o Lula? O Lula se corrompeu. Desculpa, é doído dizer isso, mas o Lula se corrompeu. Ele virou sabe o quê? Um caudilho sul-americano. É o culto à personalidade. Toda a agenda do país agora é refém do egoísmo do Lula.
© Reuters
BBC News Brasil - Questiono a questão da viagem porque, nas redes sociais, o senhor...
Gomes - Se eu fico aqui eu vou explicar por que eu não voto, por que não vou fazer campanha.
BBC News Brasil - Mas tem a questão da...
Gomes - Foi o que o Cid fez, o Cid meu irmão. Desculpe te interromper, mas o Cid foi fazer campanha e no primeiro ato de campanha os caras começaram a insultar o Cid. Aí o Cid lembrou que "o Lula estava preso, babaca". Imediatamente a direita se apropriou [disso].
BBC News Brasil - Da mesma forma que a direita se apropriou da fala do seu irmão, o senhor foi para Paris e essa viagem também foi apropriada. Volta e meia, nas redes sociais, seus críticos dizem "ah, mas o Ciro não estava em Paris?", o "Ciro voltou de Paris". Criou-se um bordão em torno disso. O senhor se arrepende de ter escolhido esse destino? De não ter ficado no Brasil?
Gomes - Eu nem fui para Paris, na verdade. Eu aceito para não explicar, porque na verdade fui fazer uma viagem para Portugal, porque saí de Fortaleza, é a passagem mais barata, classe econômica. Enfim, fui para Paris.
Por que eu fui para Paris? Porque eu estou solto, sabe? Eu sou livre, estou na plenitude das minhas franquias cidadãs. E eu não sou obrigado a apoiar ladrão, não sou obrigado a apoiar quadrilha. Não interessa. (...)
Pensam que nosso povo é ignorante? Eu aposto na inteligência do povo. É uma explicação simples. E vocês jornalistas arbitram. Se for verdade o que eu estou falando, é uma fuga dessa petezada maluca, que é coisa igual ao Bolsonaro. Bolsonaro diz as maiores loucuras, os fanáticos dele relativizam e defendem. O PT faz as maiores aberrações, os fanáticos dele relativizam e defendem. Eu não tenho nada com isso.
BBC News Brasil - O senhor acredita, então, que a eleição estava perdida?
Gomes - Eu sei convictamente que estava e tenho todos os números, de todos os institutos de pesquisa demonstrando isso. Antes, não é depois, não. Antes estava tudo evidente. (...) E eu já sabia disso. O que eles queriam, na verdade? Queriam me associar à derrota. Isso é o que eles queriam, porque não pensam no Brasil, não têm o menor compromisso com nosso povo. Eles só pensam na organização deles e pior, para roubar.
BBC News Brasil - Associá-lo à derrota de que forma?
Gomes - Porque se eu assumo ostensivamente o apoio ao Haddad estaria junto com ele derrotado. Isso é o que eles queriam. Simples assim.
BBC News Brasil - O senhor citou a frase "O Lula está preso, babaca". Em fevereiro, durante um discurso na Bienal da UNE, o senhor criticou os jovens por defenderem políticos envolvidos com corrupção...
Gomes - Eu critiquei os jovens?
BBC News Brasil - O senhor disse que eles defendiam políticos acusados de corrupção.
Gomes - Aquele grupinho que estava ali.
BBC News Brasil - O grupo que estava na UNE.
Gomes - É muito constrangedor você ser jovem a essa altura da vida, num país como o nosso, e obrigar essa garotada a defender corrupção, ladroeira, ou o Palocci é do PV? É da Rede? O Palocci é do PT.
BBC News Brasil - Haddad, com o suporte do Lula, teve 29% de votos no primeiro turno. O senhor não acha que com essa postura o senhor intensifica a divisão da esquerda e favorece a direita?
Gomes - Quem disse que esse PT é de esquerda? É uma pergunta muito simples. O que é ser de esquerda? Olha aqui, eles governaram o Brasil por 14 anos e nós temos o sistema tributário mais regressivo do planeta Terra. Que o inglês fique sabendo que o imposto aqui sobre lucros e dividendos empresariais não existe. Só no Brasil e na pequena Estônia, no leste da Europa, não tem esse imposto. (...)
Onde está o esquerdismo? O Brasil tinha 30% do PIB industrial e hoje é 11%. O Brasil tem a maior crise de endividamento das famílias e das empresas da história. Isso tudo foi político do Lula e da Dilma. Isso não tem nada de esquerda, é populismo, caudilhismo, culto à personalidade.
BBC News Brasil - Onde o PT se encaixaria, então?
Gomes - No Brasil, é tudo fraude. Então, o PT é um partido de centro-direita, na prática. Por quê? Porque aplicou o neoliberalismo e tentou humanizá-lo.
'Sou de centro-esquerda, a vida inteira'© Heloisa Cristaldo/Agência Brasil 'Sou de centro-esquerda, a vida inteira'
Não tem nenhuma percepção de estratégia de desenvolvimento. Nenhuma. Tanto que a indústria brasileira era 30% do PIB no ano 1980 e hoje é 11%. São números, pelo amor de Deus. Vamos tentar usar a inteligência, para gente se proteger dessa loucura.
Então o Bolsonaro, um fascista, um projetinho de Hitler tropical, burro que só uma porta, se afirma de centro. Bolsonaro é ultradireita e não é tão ultradireita porque nem liberal é. É um fascista.
BBC News Brasil - E o senhor?
Gomes - Sou de centro-esquerda, a vida inteira.
BBC News Brasil - Nessa última segunda, foi lançado um manifesto em São Paulo, o "Direitos Já!", para organizar a oposição. Foram 16 partidos, integrantes de vários segmentos sociais reunidos ali, mas o PT não foi. Você é a favor dessa frente de esquerda? E como um representante deveria ser escolhido?
Gomes - A frente não é de esquerda, é uma frente pela democracia.
BBC News Brasil - Mas o senhor é a favor de uma frente de esquerda?
Gomes - Não. Acho que todas as tentativas do PT de anunciar uma frente de esquerda têm dois vícios. Primeiro: não é nenhuma intenção boa do PT de fazer frente de esquerda, eles querem subjugar o pensamento progressista ao pragmatismo deles, ao hegemonismo deles. Sem nenhuma visão de Brasil.
Podemos fazer essa discussão: qual é a visão de Brasil do PT? Qual é a proposta? Qual é a matriz? Qual é o projeto? Para gente poder refletir se isso é progressista radical, progressista moderado, centrista e tal. Não tem esse projeto, nunca teve.
A segunda questão é que o Brasil não cabe na esquerda. Sabe? (...) O PT não entendeu nada do novo Brasil neopentecostal, evangélico e como não tem proposta de esquerda, nenhuma, se refugia no identitarismo. Então tem uma imensa afinidade com as teses identitárias, como se a soma de interesses identitários desse um interesse nacional. Isso não existe.
O que acontece é o seguinte: por que o Crivella em pleno século 21 não só é o prefeito do Rio de Janeiro, já deveríamos parar um pouco para pensar - aliás, lá trás com apoio do PT, aliás foi ministro da Dilma -, mas se lança numa cruzada contra um livro? Em plena Bienal do Livro. Você acha que ele é burro? É que ele está desmoralizado como prefeito, nas tarefas de prefeito, ele está desmoralizado. Então o que está fazendo? Está indo para a questão identitária, para mudar a cabeça do novo, do julgamento de uma administração ruinosa para o paladino da defesa, da moral e dos bons costumes.
BBC News Brasil - Algo semelhante ao que o governo Bolsonaro faria?
Gomes - Rigorosamente a mesma matriz. Eles estão todos imitando. Bolsonaro foi orientado pelo [Steve] Bannon, que veio dos Estados Unidos a serviço do Trump, para cooptar o Brasil através da compra do nosso presidente, da Presidência da República.
BBC News Brasil - O senhor acha que o PT faz algo semelhante?
Gomes - Rigorosamente a mesma coisa. Quantos votos teve a candidata a governadora do Rio de Janeiro nas eleições passadas? Você tem ideia? Rio de Janeiro é a maior concentração de artista por metro quadrado, intelectuais, engenheiros, do Brasil. É a sede da Globo, da ABI, enfim, de tudo o que é progressista.
Sabe quantos porcento PT tirou lá? Dois por cento. Porque a Marcia Tiburi, que é uma figura respeitável, queridíssima e tal, faz apologia do cu na televisão. Eu tenho até vergonha de citar e isso não quer dizer que não haja uma grande interessante questão nesta tese da Marcia Tiburi, mas foi o que dominou o debate no Rio de Janeiro. Você quer uma governadora que faz apologia?
BBC News Brasil - Para o senhor, nessas questões identitárias, PT e Bolsonaro fazem algo parecido.
Ciro Gomes - São rigorosamente as duas faces da mesma moeda. Você vê agora, o Bolsonaro está em crise de popularidade. [Ele diz] "se você falarem mal de mim, o PT vai voltar". Aí a Gleisi (Hoffmann), presidente do PT, entende a mensagem e diz: "não tenho dúvida, 22 vai ser nós contra o Bolsonaro".
Porque agora soubemos pela Vaza Jato que, em pleno galope do golpe, o Lula estava conversando com o Michel Temer, como eu sei concretamente. Eu estava lá nas antecedências do impeachment e vi que a petezada estava já entregando a Dilma.
BBC News Brasil - Além das manifestações em redes sociais, que outro tipo de oposição o senhor está fazendo? Que outro tipo de medida o senhor está tomando, se estiver tomando?
Gomes - Eu resolvi fazer o seguinte: para cada crítica, uma proposta concreta, com números, emails, etc. Então, para Previdência Social fui o único que apresentou uma proposta, com os números e tudo. A imprensa não dá a menor bola para isso. (...)
O que estou fazendo? Agora estamos com a questão da reforma tributária. Antes que o governo proponha, eu já estou com todo o desenho, explicando para as pessoas o que representa. (...)
Você não vai ler isso nos grandes jornais, mas na internet eu vou lá, explico. Ainda ontem fiz um seminário e está na internet inteirinho. E a gente ao mesmo tempo trabalha. Isso me dá um trabalho infernal, porque não cai do céu na minha cabeça, tenho que pegar os especialistas, pegar de sete da noite à meia-noite, porque não tenho tempo, viajo, mas estou lutando.
BBC News Brasil - Nessa questão de falta de divulgação das medidas, se a gente for olhar os seus posts...
Ciro Gomes - Está tudo lá.
BBC News Brasil - Ainda existem pessoas que comentam 'onde estava o Ciro até agora?' e é um tipo de reação comum. Por exemplo, quando fizemos uma entrevista com a Marina...
Ciro Gomes - Outro dia pedi para minha assessoria mandar uma carta ao professor [Marco Antonio] Villa. Ele disse: "cadê a oposição? Desde a eleição ninguém sabe onde andam os candidatos".
Caramba, dessa viagem aqui eu vou passar doze dias fora de casa. Doze! Eu vou fazer no fim do ano um levantamento de horas de voo, horas de palestra e quantas pessoas me ouviram diretamente. Vai ficar engraçado...
A pobre da Marina já está perdendo a voz. Ninguém dá voz a Marina, que agora começou com complicação, porque ela perdeu a vênia dada àqueles que têm uma potencialidade, ainda que remota, de ganhar. Muito apressadamente as pessoas estão desconsiderando a possibilidade de a Marina ganhar a eleição, então ela não consegue mais.
A Amazônia numa crise de repercussão global, a voz mais autorizada do Brasil falou pelos cotovelos e cadê? Está onde?
BBC News Brasil - A crítica recorrente é que os candidatos que concorreram com Bolsonaro nas eleições de 2018 não são muito ativos na oposição ao governo. Como o senhor avalia a ação deles e do senhor? Há oposição suficiente?
Ciro Gomes - Não. Por uma razão física e por uma razão subjetiva. Razão física: se o embate é no Parlamento, nós vamos perder todas por três a um ou por quatro a um. Todas. Por quê? Porque fisicamente o resultado da eleição é esse. Bolsonaro, a turma dele e a coalizão conservadora fizeram 400 deputados e nós fizemos 130, em números grossos.
Então, cada proposta, se o embate for dentro do Parlamento, é três a um, quatro a um, contra nós.
Isso é físico. A segunda questão é subjetiva e tem a ver com conteúdo e com meio. Qual é o conteúdo oposicionista que o Haddad conseguirá colocar? Cada vez que o Haddad sai para dizer qualquer coisa, Reforma da Previdência, não sei o quê, a pessoa explode a pergunta na testa dele: por que não fizeram? Catorze anos de governo. (...)
E nós, que temos conteúdo, temos um problema de meio.
BBC News Brasil - O senhor é muito crítico aos eleitores do PT, aos filiados do PT.
Gomes - À burocracia mais do que aos filiados.
'Estou pedindo que o Bolsonaro fale claramente sobre isso, porque esse menininho [Carlos, à dir ao lado de seu irmão Flávio] é um percevejo, é irrelevante'© Reuters 'Estou pedindo que o Bolsonaro fale claramente sobre isso, porque esse menininho [Carlos, à dir ao lado de seu irmão Flávio] é um percevejo, é irrelevante'
BBC News Brasil - O senhor acha que não está afastando um possível eleitorado em 2022? Se formos pensar, os eleitores de Bolsonaro e Haddad são uma parcela considerável da população. Ao fazer essas críticas num tom duro, que o senhor costuma usar, não existe uma ameaça de isolamento, como aconteceu com a Marina nas eleições?
Gomes - Veja, meu problema é grave. Eu não sou convidado para o banquete, eu sou um penetra. Então eu não critico os eleitores, por isso eu te interrompi, eu não critico os eleitores, eu critico a militância agressiva, a burocracia, enfim.
O que eles estão fazendo? Se você não for petista, você é Bolsonaro. Que conversa é essa? Eu não sou petista nem sou Bolsonaro e quero falar para os 50% de brasileiros que não são petistas nem Bolsonaro.
BBC News Brasil - O senhor sente que já começou a campanha para 2022?
Gomes - Claro. Sem nenhuma dúvida. Pelo menos é assim que todo mundo está agindo, os políticos.
BBC News Brasil - Todos em campanha?
Gomes - E gravemente equivocados. Por isso que eu sou livre. Porque eu acho que, como diz a música brasileira, o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído.
Sabe, eu falo a verdade. "Ah, quem é anti-PT não pode falar do Moro!". Ora, o Moro é criminoso, é um politiqueiro. O Moro passou de qualquer limite do razoável. Sou um profissional de Direito, um professor de Direito. "Ah, então nesse caso você está contra o Moro e a favor do PT". Não, se tem um brasileiro que sabe que o Lula não tem nada de inocente sou eu. Olha como é difícil minha vida.
BBC News Brasil - O senhor encontrou o Haddad no final de agosto e vocês tiraram uma foto abraçados.
Gomes - Nós somos amigos há muitos anos. Estou dizendo que eu apoiei ele em...
BBC News Brasil - Vocês mantêm uma boa relação?
Gomes - Uma relação ótima. A minha dureza com o Haddad é que ele se prestou ao papel de fraude e isso eu vou dizer com todos os esses e erres. E na campanha se comprometeu com a autonomia do Banco Central, com o movimento autoritário, golpista, de uma constituinte que o Lula mandou ele falar. Ninguém entendeu nada no debate. Eu cobrei isso [dele] só porque nós temos valores. [Perguntei a ele] "Haddad, que história é essa que está no teu programa sobre uma constituinte?". Ele disse "não, foi o Lula que mandou botar". Ele disse assim, quase igual com as palavras que eu estou usando.
BBC News Brasil - A deputada Tabata Amaral era vista como uma das principais apostas de renovação do PDT e estava cotada até para disputar a Prefeitura de São Paulo. Depois que ela votou a favor da Reforma da Previdência, sua relação com o PDT e com o senhor foi se desgastando e ela foi suspensa da sigla. O senhor ainda conversa com a deputada? Como vê a atuação dela hoje?
Gomes - Eu não me nego a conversar com ninguém, mas nunca mais houve ocasião para conversarmos. Da última vez que nós falamos, foi ao telefone, em que eu tentei, paternalmente... Porque eu que recrutei a Tabata, eu que abonei a ficha dela, eu que estimulei ela a vir para o PDT. E eu sinto um desgosto muito grande. Não quero comentar mais, quero que ela seja feliz.
Mas é um desgosto muito grande para mim ver que a dupla militância dela pendeu para o lado conservador. E é só isso.
A matriz de economia política que o Bolsonaro sancionou sem acreditar, que é a do Guedes, é neoliberal. E é o neoliberalismo intelectualmente mofado, porque a crise de 2008 já pediu a quem pensa isso seriamente [para ter] nuance.
Então, o Barack Obama reage estatizando o setor de seguros, o Trump está fazendo política industrial e de comércio exterior.
BBC News Brasil - A deputada Tabata disse numa entrevista...
Gomes - Não, vamos mudar de assunto.
BBC News Brasil - É a última pergunta sobre ela. Ela disse que o senhor não pensa tão diferente dela, porque também tinha um modelo de Reforma da Previdência, durante a campanha, e com sistema de capitalização. Por isso, haveria uma contradição da sua parte.
Ciro Gomes - Vai me desculpar, ela estava fazendo uma aposta na ignorância das pessoas, e isso é desonesto. Porque o sistema de Previdência que eu defendia era casado com uma reforma tributária. Eu estabelecia que nós iríamos cobrar um imposto sobre lucros e dividendos que arrecadaria R$ 70 bilhões num único exercício, no primeiro exercício possível, e estabeleceria um corte de 20% nas renúncias fiscais, o que arrecadaria mais R$ 80 bilhões, atenuando o deficit estratégico do país.
E iríamos fazer um sistema de Previdência baseado em três pilares. Um [seria o] de renda mínima, de um salário mínimo para todo brasileiro independentemente de ter podido ou não contribuir, em direção, inclusive, ao futuro do não-emprego, dessa imensa geração de brasileiros que não vai ter nenhuma capacidade de assumir os empregos modernos, por falta de preparo, capacitação e treinamento - ela conhece os números disso; o segundo [seria o] de repartição, com um teto de até R$ 4,5 mil, que tirava 80% das pessoas, e um terceiro pilar de capitalização, público, com contribuição patronal e sob o controle dos trabalhadores.
Isso é o oposto do que ela votou, que era privado, sem controle dos trabalhadores e tirando a contribuição patronal.
Portanto, não é honesto o argumento.
BBC News Brasil - No começo da entrevista, o senhor falou em uma possível renúncia de Bolsonaro, por questões psicológicas. O senhor já disse algumas vezes acreditar que ele não termine o mandato, mas também não apoia um impeachment. Por que acredita nisso?
Gomes - Veja, os políticos perceberam o gravíssimo erro que cometeram no impeachment da Dilma. Por exemplo, o PSDB atirou no pé e acho que para sempre.
O Bolsonaro deve ganhar um lugar aí, junto com o Collor [e a Dilma], entre os três piores governos da história do Brasil. São números, nada subjetivo. Eu estava lá ajudando, trabalhei contra o impeachment, ela é uma pessoa honrada.
'É um desgosto muito grande para mim ver que a dupla militância dela (deputada Tábata Amaral, à dir) pendeu para o lado conservador'© Vinicius Loures/Câmara dos Deputados 'É um desgosto muito grande para mim ver que a dupla militância dela (deputada Tábata Amaral, à dir) pendeu para o lado conservador'
Estou falando que a economia do Brasil nunca caiu como caiu com ela. É uma coisa concreta, números, para nos proteger do petismo amalucado. Eles mataram a Dilma, esquecem que o Brasil caiu três pontos e meio num ano, que a Dilma explodiu as renúncias fiscais em R$ 84 bilhões e arrebentou as contas do país, que ela botou o (Joaquim) Levy, que botou a taxa de juro em 14,5%, como resposta para uma crise tremenda de que ela não entendeu nada, porque a origem é o fim do financiamento generoso das commodities brasileiras pelo estrangeiro, que sustentavam a farra consumista que o Lula promoveu, pagando isso com minério de ferro, petróleo, tudo muito caro.
Na hora que os preços despencaram, esse modelo de consumismo populista morreu.
BBC News Brasil - O impeachment, então, eles entenderam...
Gomes - Se o PSDB deixasse o tempo influir, teria ganhado as eleições. Ao estabelecer um clima de ódio, rancor e a sensação de golpe para muitos, predispôs o Brasil à negação da política e das suas linguagens, seus limites, seus ritos e deu no que deu: um fascistoide como o Bolsonaro, completamente despreparado, que navegou nessa onda de ódio.
Agora, todo mundo está vendo a mesma coisa: se ele cometer um crime de responsabilidade doloso, não tem conversa, vai para o impeachment. Mas se não cometer, eu, por exemplo, não participarei de nenhum tipo de golpe contra o Bolsonaro. Governo é assim: se a gente elege ruim, a gente aguenta. E no presidencialismo aguenta por quatro anos. Se a gente elege um bom presidente, a gente recebe de volta o acerto do nosso voto. Isso tudo é pedagógico e a gente tem que insistir nesse regime errado, que é o presidencialismo, mas o povo também optou pelo presidencialismo.
Mas as energias que estão se acumulando são tão violentas, aquilo que eu te falei, vem por aí tanta confusão que eu não vejo como o sistema político vai conseguir absorver e o próprio Bolsonaro [também]. Então, o filhinho dele, no momento em que ele fala, está aí causando comoção porque disse que, dentro do ambiente democrático, não é possível fazer as mudanças que o Brasil precisa. Estou pedindo que o Bolsonaro fale claramente sobre isso, porque esse menininho é um percevejo, é irrelevante, fica lá nos problemas de mal-amado dele.
Agora, se é isso que pensa o Bolsonaro, a gente precisa dizer com clareza para ele que a imoralidade do PT nos divide, a agenda de costumes tosca nos divide, mas na defesa da democracia nós vamos tocar fogo na rua, fique seu Bolsonaro sabendo. Na defesa da democracia, vamos encará-lo na linguagem que ele quiser. Ele que não avance na direção disso, porque a minha geração sabe o que custou retomar a democracia e ele se elegeu por conta de democracia.
Se isso também não é a saída, um surto autoritário que quebra as instituições e, portanto, abre uma guerra civil no Brasil, qual é a saída? É a renúncia, na história brasileira. Só três presidentes na democracia terminaram o mandato nesse país.
BBC News Brasil - O senhor acha que um presidente que disse "eu venci, porra", e faz outras declarações desse tipo, tem probabilidade de renunciar?
Gomes - Provável, não. Como eu lhe disse, é um mero palpite. O que eu não vejo é ele com estrutura. Ele não tem o treinamento, nunca passou por nada parecido em escala laboratorial. Sabe, se você foi prefeito, já administrou ali uma porção de tensões, se foi ministro, já administrou uma porção de conflitos. Então, as emoções ficam um pouco mais postas em perspectiva. E ele deu uma entrevista dizendo que acorda de madrugada chorando. Isso com quatro meses de governo.
Você imagina quando ele não puder botar a cara na rua, por impopularidade. Agora ele ainda tem aí seu 25%, 28%, dizendo que ele é ótimo e bom, que é o pior número para esse período de qualquer governo da história. Então ele dissipou o capital político mágico que o dia seguinte à eleição dá ao eleito, porque o eleito não leva só os dele, ele leva a psicologia de todo mundo. (...)
Aí ele bota a cara na rua e não tem um prêmio de nada. Aí quer fazer uma coisa e o Guedes diz que não porque não vai ultrapassar a lei de responsabilidade fiscal, o teto de gastos, e tal, que vai piorar muito no ano que vem. As universidades todas vão parar, os institutos federais de educação vão parar, os cientistas vão colapsar, por conta da loucura que eles estão fazendo, dessa emenda à Constituição que congela os gastos a valor do ano passado mais o nominal.
'Estou em campanha para criar uma corrente de opinião que mostre ao Brasil a natureza real do nosso problema e um projeto alternativo, que é perfeitamente praticável num país como o nosso'© Felix Lima/BBC News Brasil 'Estou em campanha para criar uma corrente de opinião que mostre ao Brasil a natureza real do nosso problema e um projeto alternativo, que é perfeitamente praticável num país como o nosso'
Tem a seguinte contradição: hoje tem mais de R$ 1 trilhão no caixa da União e ele não consegue fazer uma pontezinha não sei onde, nada, zero. [Bolsonaro] achando que está trabalhando para melhorar a vida do povo, e o povo vaiando ele onde ele chegar, não vejo como ele aguente.
BBC News Brasil - O senhor fala de um futuro com um provável dilema entre uma renúncia e uma guerra civil, no caso de uma ofensa à democracia. Como o senhor vê o futuro do país sob o governo Bolsonaro? Que legado ele pode deixar para nossa democracia?
Gomes - O Bolsonaro é uma ameaça real à qualidade da nossa vida republicana. Neste momento, eu não o vejo como ameaça à democracia. Acho que o PT fez uma chantagem emocional, de que a eleição do Bolsonaro era uma ameaça à democracia, isso é terrorismo, terrorismo do mais puro. Bolsonaro, até o presente momento, não transgrediu a virtude democrática, o regramento democrático.
A democracia está mal. E não que está mal agora, está mal há muito tempo. Então quando você tem um presidente da República que diz que o presidente da Ancine tem que ser um cara evangélico, ele está violentando tradições republicanas mundiais, universais, iluministas, introduzindo na vida brasileira uma coisa que nós não precisávamos: o fim da laicização do Estado, essa mistura macabra de política com religião, e tudo isso é uma deformação de costumes.
Mas não o vi transgredindo ainda, vamos dizer, o regramento democrático. E nisso nós precisamos fazer uma homenagem ao Congresso brasileiro. Eu tenho tudo contra a maioria que se formou do Congresso pela agenda conservadora, mas o Congresso tem contido o Bolsonaro no ambiente do regramento democrático. (...)
Por isso eu disse hoje: não vou responder a esse percevejo. O menininho parece que não tem o que ver, mal-amado, daquela idade...
BBC News Brasil - O Carlos Bolsonaro?
Gomes - É. Fica ali na internet. Agora a questão é: Bolsonaro, o que o senhor tem a dizer sobre isso? Ele tem a obrigação de dizer: "isso não é o que eu penso, meu compromisso é com a democracia". Segue o jogo. Agora ele que tente transgredir a democracia para ele ver.
BBC News Brasil - Enquanto isso, Ciro Gomes está em campanha para 2022?
Gomes - Sim e não. Por quê? Eu estou em campanha para criar uma corrente de opinião que mostre ao Brasil a natureza real do nosso problema e um projeto alternativo, que é perfeitamente praticável num país como o nosso. Isto vai ou não levar a uma candidatura? Depende do que vem pela frente.
O que eu quero ser está dito, já tentei ser três vezes. E meu partido quer que eu seja e eu topo ser.
BBC News Brasil - O senhor ainda quer ser?
Gomes - Quero, quero muito. Ainda. Mas vai ser a última vez, com certeza. Se eu ainda for, vai ser a última vez. 

Flávio Bolsonaro e o PT tem uma pauta em comum: enterrar a CPI da Lava Toga

Flávio Bolsonaro, o PT de Jaques Wagner e o DEM de Davi Alcolumbre não assinaram CPI da Lava Toga© Moreira Mariz/Agência Senado Flávio Bolsonaro, o PT de Jaques Wagner e o DEM de Davi Alcolumbre não assinaram CPI da Lava Toga
Com o aval de Elmano Ferrer (Podemos-PI), o pedido de abertura da "CPI da Lava Toga", que planeja apurar irregularidades no Judiciário, chegou novamente a 27 assinaturas, o número mínimo para instalação do colegiado no Senado. A expectativa do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), idealizador da Comissão Parlamentar de Inquérito, é protocolar o pedido na próxima terça-feira (17).
A concretização da CPI, entretanto, é uma incógnita: em outras duas ocasiões, os apoiadores da ideia disseram ter alcançado o número de assinaturas necessárias, mas a instalação foi rejeitada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
O que mais chama atenção desta vez é a aliança improvável entre o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, e a bancada do PT para impedir a instalação da CPI. Situação que causa ainda um princípio de racha no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, e no próprio bolsonarismo.

Essa CPI não tem compromisso com o futuro do Brasil, diz Flávio Bolsonaro

“Tenho a clara percepção que uma CPI com essa pauta – além de ser uma coisa questionável entrar no mérito das decisões de cada ministro –, não tenho a menor dúvida, toca fogo no país”, disse Flávio Bolsonaro, em entrevista ao site Terça Livre. O senador não apenas reforçou que não assinaria o pedido de criação da comissão, como também defendeu que a CPI seria um fator de instabilidade para o governo.
“A quem interessa uma instabilidade política nesse momento? Não é possível que as pessoas não enxerguem. A gente tem que ter equilíbrio. Agora seria muito ruim uma CPI como essa”, disse.
O senador Flávio Bolsonaro também negou, na conversa, que estaria pressionando membros do seu partido a retirar apoio à comissão. A possível ação de Flávio neste sentido foi divulgada pela imprensa nos últimos dias e chegou a motivar uma nota do presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), que puxou para si a mobilização, tentando isentar o filho do presidente de responsabilidade sobre o caso.
Apesar da pressão de Bivar – ou de Flávio –, o filho do presidente foi o único membro do PSL no Senado que não assinou o pedido de instalação da comissão. Soraya Thronicke (MS) foi apoiadora da criação. Já Major Olímpio (SP) e Selma Arruda (MT) não apenas assinaram a requisição como também têm se empenhado na mobilização para a formalização do colegiado.
Nesta quinta-feira (12), Olímpio divulgou um vídeo reiterando apoio à comissão e dizendo que a “Lava Toga” pode criar no Judiciário um ambiente de investigações similar ao que a Lava Jato criou para os poderes Executivo e Legislativo. Já Selma expôs sua insatisfação com as pressões do PSL e, desde então, avalia a possibilidade de deixar o partido.

Insatisfação do bolsonarismo

A oposição de Flávio Bolsonaro à CPI – e o alinhamento a uma causa petista – gerou insatisfação em grupos de redes sociais que ajudaram na vitória de Bolsonaro no ano passado e dão apoio ao governo. O chat e o campo de comentários da entrevista do senador ao Terça Livre – página de orientação bolsonarista – reúnem desde a publicação do vídeo até um número expressivo de mensagens críticas ao senador.
Internautas chamaram o senador de “traidor” e disseram que, mesmo apoiando o governo Bolsonaro, condenam a diretriz adotada por Flávio no Parlamento. Na entrevista, o filho do presidente disse que os defensores do governo não deveriam “morder a isca deixada pela oposição”.
A CPI também não conta com o apoio do PT. O líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), declarou que vê na “Lava Toga” uma tentativa de intimidar o Judiciário e de se atender a demandas do procurador Deltan Dallagnol, criticado pelos petistas por sua atuação na Lava Jato. O pedido da instalação da comissão também não tem assinaturas de integrantes do DEM, legenda do presidente do Senado, e do MDB, partido que detém a maior bancada.
Nesta quinta-feira, em uma reação ao número de assinaturas obtido pelos defensores da CPI da Lava Toga no Senado, a oposição na Câmara dos Deputados protocolou outro pedido de CPI, mas para investigar a chamada "Vaza Jato". Deputados do PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL querem investigar supostas irregularidades cometidas pela força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e que foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos de comunicação, como Veja, Folha de São Paulo, UOL e El País.

“Muda Senado” põe a cara para fora

Se for mesmo instalada, a CPI da Lava Toga concretizará a força de um grupo de senadores que tem se mobilizado desde o início da legislatura para a consolidar um bloco de parlamentares que, ainda que de modo informal, se une por contrariar decisões do governo Bolsonaro e também rejeitar aproximação com o PT, a principal força da oposição.
O grupo recentemente passou a se intitular “Muda Senado” e está convocando uma manifestação em defesa da CPI para o dia 25, em Brasília. Será em uma quarta-feira, dia em que habitualmente a maior parte dos parlamentares está na capital federal. Embora o grupo busque manter uma linha independente do governo, a convocação para a manifestação contou com a presença de Major Olímpio e Selma Arruda.
A ideia dos senadores é utilizar as redes sociais como foco de pressão para garantir a adesão de novos parlamentares, evitar que os atuais apoiadores retirem as assinaturas e também pressionar o presidente Davi Alcolumbre a formalizar a constituição da CPI.

Sérgio Moro ameaça deixar governo Bolsonaro

O presidente eleito Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante visita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).© José Cruz/Agência Brasil O presidente eleito Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante visita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Sérgio Moro pode estar a um passo de deixar o governo. O Ministro da Justiça teria colocado uma condição a Jair Bolsonaro (PSL) para continuar no cargo: ter alguém de confiança ao seu lado.
“Se o presidente Jair Bolsonaro tirar Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal (PF) e não colocar em seu lugar alguém de confiança de Moro, o ministro deixará o governo”, disse Guilherme Amado, colunista da revista Época.
Vale lembrar que Moro acabou se tornando o ministro mais podado do governo atual. “O desconvite para a especialista em segurança pública Ilona Szabó, a Funai goela abaixo (com a escolha de seu presidente feita por Bolsonaro e não por Moro), a retirada do Coaf do Ministério da Justiça e a posterior reformulação do conselho, a desautorização pelas indicações no Cade, mandando o Senado devolver os nomes ao Planalto, a demissão via imprensa do delegado que comandava a PF no Rio de Janeiro, a ordem para que a tramitação do pacote anticrime ficasse mais lenta e até o veto a uma propaganda do projeto… A lista de vezes em que as asas de Moro foram cortadas é extensa”, dizia outro trecho da reportagem.
O jornalista destaca dois motivos que explicam esse tratamento diferenciado de Bolsonaro em relação a Moro. O primeiro é o ciúmes que alimenta contra o ministro.
Ainda de acordo com a publicação, o ministro disse que as informações não passam de “especulação de terceiros” a possibilidade de sua saída.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Mourão: Primeiros dois anos do governo são para reorganizar a crise fiscal

© Ed Alves/CB/D.A Press
O presidente em exercício, general Hamilton Mourão, afirmou na noite desta terça-feira (10/9) que os dois primeiros anos de governo são para equilíbrio fiscal do país e que em 2020, haja menos contingenciamento de verbas. “A ideia é que ano que vem não tenha contingenciamento. Porque o financeiro vai acompanhar a dotação. Essa é a previsão do Ministério da Economia. Vamos ter menos recurso, mas a gente já sabe que desde o começo do ano a gente vai ter aquele recurso”.
No entanto ele reconheceu que a dotação menor não será suficiente para destravar os projetos que ficaram parados. “A gente sabe que esses dois primeiros anos do governo são para reorganizar a crise fiscal que o país passa. Essa crise tem características muito claras porque nós temos uma quantidade de despesa obrigatória muito grande que a gente tem que tentar reverter”.
Sobre o projeto de caça sueco Gripen à Força Aérea Brasileira (FAB), Mourão disse não acreditar que o planejamento estratégico seja prejudicado por conta do contingenciamento sofrido pelo ministério.
“O do Gripen não, pois é uma questão de investimento, tem o  financiamento externo, mas todos os outros foram colocados mais para frente o ponto final deles por causa dos seguidos contingenciamentos que tem ocorrido”, explicou.
Quanto à possibilidade de o governo criar um imposto sobre transações financeiras (CPMF), Mourão confirmou os estudos e disse ter conversado com o secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra. “É uma ideia que o governo tem. Conversei com o professor Marcos Cintra mas não foi apresentado ao presidente ainda. Quem decide é o presidente”, concluiu.
Na agenda desta quarta-feira (11/9), está prevista a presença de Mourão na solenidade de regimento de cavalaria de guarda na despedida de serviço ativo do general Rêgo Barros, porta-voz da República. O general seguirá despachando normalmente no Palácio do Planalto.
Na quinta-feira (12/9), o presidente interino segue para Porto Alegre para reunião da Câmara de Comércio Brasil e Alemanha.

Juíza manda Doria devolver apostilas recolhidas por 'apologia a ideologia de gênero'

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo concedeu liminar anulando o ato do governador João Doria (PSDB) que recolheu apostilas da rede pública estadual. Segundo a decisão, o governo tem 48 horas para devolver as apostilas. Na ocasião do recolhimento, o governador considerou que o material didático, destinado aos alunos do 8º ano do ensino fundamental, fazia apologia ao que chama de ideologia de gênero. 
Trecho da apostila apreendida pelo Governo de São Paulo© Reprodução Trecho da apostila apreendida pelo Governo de São Paulo
"Diante do exposto, defiro a medida liminar requerida para determinar a suspensão do recolhimento das apostilas do programa "SP Faz Escola" destinadas aos alunos do 8º ano do ensino fundamental da rede pública estadual, material relativo ao terceiro bimestre do ano letivo de 2019", escreve a juíza Paula Fernandes Souza Vasconcelos Navarro. Procurado, o governo do Estado não se manifestou até 18h40. 
"Determino, ainda, que as apostilas já recolhidas não sejam descartadas ou destruídas, bem como sejam devolvidas aos estudantes que tiveram o material recolhido, no prazo de 48 horas, de modo que possam ser utilizadas pelos professores que delas necessitarem, sob pena de multa a ser fixada em caso de descumprimento da ordem", continua a nota.
A ação contra o recolhimento é de um grupo de professores de universidades públicas paulistas. Os professores são das Universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Federal do ABC (UFABC), Federal de São Paulo (Unifesp), Federal de São Carlos (UFSCar) e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Eles afirmam que a retirada da apostila foi um ato de "censura" e argumentam que o material apresenta diferentes formas de expressão da sexualidade humana.
No último dia 3, Doria escreveu em seu perfil no Twitter que o governo havia sido alertado sobre um "um erro inaceitável no material escolar dos alunos do 8.º ano da rede estadual" e pediu apuração sobre os responsáveis pela apostila. "Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gênero", declarou, na rede social, o governador.

Secretário adjunto da Receita confirma que nova CPMF terá alíquota de 0,20% a 0,40%

BRASÍLIA - O secretário adjunto da Receita, Marcelo Silva, confirmou que o governo vai enviar a proposta de criação da Contribuição sobre Pagamentos (CP) para reduzir gradualmente os impostos que as empresas pagam sobre a folha de salário dos funcionários. A alíquota do novo tributo, nos moldes da extinta CPMF, será de 0,20% no débito e crédito financeiro e de 0,40% no saque e depósito em dinheiro.
Durante palestra no Fórum Nacional Tributário, em Brasília, o secretário antecipou alguns detalhes da proposta de reforma tributária que ainda vai ser apresentada pelo governo. Segundo ele, a ideia é desonerar a folha de salários e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e apresentar um novo tributo, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que vai unificar PIS e Cofins com alíquota de 11%.
Serão mantidos os benefícios da Zona Franca de Manaus e do Simples. "A ideia é colocar uma alíquota menorzinha em relação à alíquota grande que existe hoje", disse. A ideia é desonerar a folha e o IOF ao longo do tempo e ir aumentando a alíquota da CP.
Segundo Marcelo Silva, ogoverno vai propor uma desoneração parcial da folha. "Queremos testar tanto o IVA (CBS) e a Contribuição sobre Pagamentos para, a partir desse teste inicial, o próprio Congresso decidir onde a alíquota vai crescer mais, no IVA ou a CP."
A proposta, ressaltou, é começar com a unificação de PIS e Cofins, que poderá ser testada para dar segurança aos Estados e municípios. Segundo ele, a implementação do PIS/Cofins poderá ser feita por lei ordinária, o que é mais simples de ser aprovada pelo Congresso.
"Em meados do primeiro trimestre do ano que vem, já poderemos estar implantando essa nova contribuição sobre valor agregado federal e já entregando simplicidade nesse governo." Para ele, essa seria uma forma de sair do debate federativo na reforma tributária.
Num segundo momento é que haveria o envio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para unificação do IPI ao CBS. Dessa forma, disse Silva, o governo quer começar a desonerar a folha de pagamentos no valor do custo de "um FGTS". Isso é o equivalente a uma redução de 7% do custo da folha para as empresas. Hoje, as empresas pagam 20% sobre a folha de pagamento.
O governo também prepara mudanças no Imposto de Renda, segundo Silva, mas a discussão ainda está sendo finalizada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
Entenda as diferenças das propostas de reforma tributária

Proposta do governo (não apresentada oficialmente)

Troca de até cinco tributos federais (PIS, Cofins, IPI, uma parte do IOF e talvez a CSLL) por uma única cobrança, o Imposto Único Federal. Acaba com a contribuição ao INSS que as empresas pagam sobre a folha de pagamentos. Em substituição, duas opções estão à mesa: a criação de um imposto sobre todos os meios de pagamento ou um aumento adicional na alíquota do imposto único. Em outra frente, o governo prepara mudanças no IR de empresas e pessoas físicas com redução de alíquotas e fim ou redução de deduções com gastos de saúde e educação .

Câmara

PEC do líder Baleia Rossi (MDB-SP), patrocinada por Rodrigo Maia.
Preparada pelo economista Bernardo Appy, acaba com três tributos federais - IPI, PIS e Cofins. Extingue o ICMS, que é estadual, e o ISS, municipal. Todos eles incidem sobre o consumo. Ela cria o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), de competência de municípios, Estados e União, além de um outro imposto, sobre bens e serviços específicos, esse de competência apenas federal.

Senado

Reforma do ex-deputado Luis Carlos Hauly preparada pela Câmara.
Extinção do IPI, IOF, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide, ICMS e o ISS. No lugar deles seria criado um imposto sobre o valor agregado de competência estadual, chamado de Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), e um imposto sobre bens e serviços específicos (Imposto Seletivo), de competência federal.

sábado, 7 de setembro de 2019

Bolsonaro passará por nova cirurgia de até três horas

Procedimento cirúrgico será realizado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo© EVARISTO SA/AFP Procedimento cirúrgico será realizado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo
A cirurgia do presidente Jair Bolsonaro, para correção de uma hérnia incisional, é uma intervenção mais simples e deve durar até três horas. A informação é do médico André Luiz de Vasconcellos Macedo, o mesmo cirurgião que comandou as duas operações anteriores do presidente, para instalação e remoção da bolsa de colostomia que ele usou após sofrer uma facada, no dia 6 de setembro do ano passado, durante um ato de campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG). 
Veja mais no MSN Brasil:
  • União quer passar gastos com educação a Estados (Exame.com)
  • 'Sou imbrochável', diz Bolsonaro em transmissão (Correio Braziliense)
  • Em casa, Vaccari critica Moro e defende o PT (VEJA.com)
  • Guedes pede desculpas por ofensa à esposa de Macron (Estadão
  • "É um procedimento bem mais simples e eu calculo que deve durar entre duas ou três horas", disse Macedo à site da Agência Brasil. Segundo o médico, a cirurgia também fecha o ciclo de tratamento do presidente relacionado à facada. 
    O Palácio do Planalto informou nesta sexta-feira (6) que Bolsonaro vai se licenciar do cargo por cinco dias e não três, como previsto inicialmente. O procedimento será realizado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. O presidente chega à capital paulista ainda neste sábado (7) e a previsão é que ele já passe a noite no hospital.
    A partir de domingo (8), o vice-presidente Hamilton Mourão assume oficialmente o governo. A previsão é que Bolsonaro retome o cargo ainda no hospital, enquanto estiver internado, mas somente após um período inicial de recuperação. Ao todo, ele deve permanecer no hospital por até dez dias. 
    Acompanham o presidente, durante a internação em São Paulo, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e dois de seus filhos: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador carioca Carlos Bolsonaro.

Mourão vai assumir Planalto por 5 dias por causa de cirurgia de Bolsonaro

Mourão assumirá a Presidência pela 7ª vez desde o início do ano © Sérgio Lima Mourão assumirá a Presidência pela 7ª vez desde o início do ano
O vice-presidente Hamilton Mourão assume a Presidência por 5 dias por causa da cirurgia para correção da hérnia que o presidente Jair Bolsonaro fará neste domingo (8.set.2019).
A decisão foi comunicada pelo Palácio do Planalto neste sábado. A previsão é que Mourão fique no comando do país até 5ª feira (12.set). Será a 7ª vez que o general assumirá a titularidade do Executivo.

CIRURGIA DE BOLSONARO

Será a 4ª cirurgia de Jair Bolsonaro desde a facada. A 1ª foi em 6 de setembro. A 2ª, emergencial, em 12 de setembro. A última, em 28 de janeiro, foi para retirar bolsa de colostomia.
O novo procedimento cirúrgico será realizado neste domingo no hospital Vila Nova Star, em São Paulo.
A hérnia incisional é decorrente da pressão elevada dentro do abdômen causada pelo histórico de cirurgias desde o atentado. Essa pressão provocou uma pequena abertura, por onde parte do intestino escapou e rompeu as camadas internas da parede abdominal.
O presidente deve ficar internado por cerca de 10 dias. Depois do 5 primeiros, Bolsonaro deve despachar do hospital.