quinta-feira, 27 de junho de 2019

Gilmar Mendes: ‘Temos de encerrar o ciclo de falsos heróis’

Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, crítica a‘prisões alongadas de Curitiba© GABRIELA BILO / ESTADAO Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, crítica a‘prisões alongadas de Curitiba
Defensor do projeto aprovado ontem pelo Senado que pune autoridades que cometerem abuso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes avalia que esse é apenas o ponto de partida para uma reforma na legislação e a correção de rumos contra exageros cometidos por juízes, promotores e policiais.
Entre as questões que precisam ser revisitadas, na opinião do ministro, estão a lei das delações premiadas e as ações sobre prisão após segunda instância. “A experiência indica que a gente não pode fugir dos temas problemáticos”, afirma.
Em entrevista ao Estado, o ministro rebate a força-tarefa da Operação Lava Jato que enxerga na lei de abuso uma forma de amendrontar juízes e investigadores. Gilmar diz acreditar que o projeto pode evitar o surgimento de “falsos heróis”, que cometem excesso “em nome supostamente” de um combate à criminalidade. “O cemitério está cheio desses falsos heróis. Eles são apresentados por vocês (mídia) como tal e acreditam nisso. Depois, coitados, passam a ter um grande problema de depressão, obviamente antes de desaparecerem por completo”, diz.
Gilmar recebeu o Estado em seu gabinete um dia após defender liberdade provisória para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o julgamento do pedido de suspeição do ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro
Os defensores da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que o sr. tentou dar um golpe ao propor liberdade provisória até a conclusão do julgamento da suspeição do juiz Sérgio Moro. O que ocorreu?
Como está todo mundo operando sobre conjecturas, cria uma lenda urbana. É algo técnico – temos um réu preso, há mais de 400 dias, que está pedindo um habeas corpus. Na minha perspectiva, entendi que havia plausibilidade jurídica. É algo muito singelo.
O sr. disse que não devolveria o processo contra Moro para julgamento porque ele era o 12º item da pauta. A presidente da 2ª Turma, ministra Cármen Lúcia, por outro lado, disse que habeas corpus tem prioridade.
É claro que quando se coloca um processo em primeiro lugar na pauta, já é uma escolha. Mas essa discussão está superada.
O julgamento da suspeição de Moro abre brecha pra acabar com a Lava Jato?
Acho que não. O que ameaça qualquer operação policial é o serviço mal feito. Qualquer operação que é mal inspirada ou sem base jurídica acaba sendo uma ameaça. Por isso que se recomenda modéstia, cautela, cuidado.
Quando o sr. acha que já dá para concluir o julgamento?
O pedido de vista é importante para que tenhamos uma clareza em relação a tudo que ocorreu. Uma parte nós já sabemos, outra não. É importante que se saiba para fins jurídicos e históricos. Não houve aqui nenhum cálculo de retardar. Considero que hoje a matéria existente já é suficiente para fazer uma análise do tema, independentemente do que consta aí nessas publicações do Intercept (The Intercept Brasil). Meu voto já está pronto.
Qual a avaliação que o sr. faz do ministro Sérgio Moro? Seria recomendável se afastar?
Não vou emitir juízo sobre isso, não é da minha alçada. Acho que essa é uma questão política que terá de ser discutida no âmbito político.
Moro é tratado como herói por parte dos brasileiros, assim como procuradores da força-tarefa da Lava Jato. Isso abre margem para excessos?
Se eu fosse listar todos esses episódios, teríamos vários desses personagens que já não são mais lembrados, como o procurador Luiz Francisco, o delegado Protógenes (Queiroz), que a mídia em algum momento transformou em herói e, quando se revela a sua inconsistência, a mídia lhes dá um enterro silencioso. Se a mídia já tivesse feito um exame, talvez a gente não tivesse de conviver com esses falsos heróis da atualidade. Em geral, não têm vida longa. O cemitério está cheio desses falsos heróis.
Sérgio Moro está na sua lista de falsos heróis?
Eu não coloquei. O que eu acho é que faz parte do nosso processo civilizatório, nós temos de encerrar esse ciclo de ficar na busca de heróis. Eles são apresentados por vocês (mídia) como tal e eles passam a acreditar nisso. Depois, coitados, passam a ter um grande problema de depressão, obviamente antes de desaparecerem por completo.
Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, durante entrevista ao Estado© GABRIELA BILO / ESTADAO Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, durante entrevista ao Estado
O sr. se tornou um dos principais críticos aos métodos de investigação da Lava Jato. Diante dos novos fatos, esse é o famoso caso do “Eu avisei”?
Acho que se estimulou muito esse jogo de espertezas institucionais, nessa busca de atalhos em nome supostamente de um combate à criminalidade, da correção de rumos. A própria ideia de força-tarefa já é uma ideia distorcida – por que não operar com as próprias pessoas que lá estão? Acho que vamos ter uma grande evolução e um grande aprendizado a partir desses episódios. Todos nós vamos ficar mais preparados e a própria legislação que virá em decorrência desses fatos todos será muito mais realista e talvez mais precisa, evitando essa discricionaridade abusiva.
O que deve mudar?
Veja o que aconteceu, por exemplo, com a lei da delação premiada – ela é muito genérica, mas os acordos permitem que as pessoas concebam as fórmulas, os benefícios os mais extravagantes. Em suma, acho que vamos sair muito mais fortes dessa crise.
O criminalista André Luís Callegari disse ao Estado que a lei precisa ser revista. Concorda?
Eu acho que é inevitável, acho que virá uma reforma com responsabilidade nesse tipo de matéria. Temos um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba, com vários desses modelos. Até hoje temos muitas discussões em torno dos acordos e tal, direito das pessoas de eventualmente se defenderem, tudo isso agora precisará ser devidamente disciplinado e regulado.
O Supremo vai mudar o entendimento da prisão após segunda instância?
O que se viu foi a generalização dessa prática e começamos, então, a fazer um debate. Acho oportuno que façamos esse debate e estou certo que no segundo semestre vamos revisitar o tema. A experiência indica que a gente não pode fugir dos temas problemáticos, pelo contrário. Temos de enfrentá-los. Esse tema vai entrar, sim, na pauta. É importante que seja visto num debate de garantias fundamentais, independentemente do benefício que possa trazer a A ou B.
O Senado Federal aprovou ontem o projeto de abuso de autoridade. O sr. é a favor, mas a Lava Jato é contra.
A lei hoje existente é de 1965, está toda ultrapassada. Ninguém cogitava fazer lei contra operações policiais ou grupos, ou coisa do tipo. Ali aparecem todos os exageros de juízes, promotores, policiais, auditores fiscais, de membros de CPI, veja que a toda hora estamos dando, eu mesmo dei várias liminares contra condução coercitiva, de depoentes em CPI, ou mesmo para assegurar o direito ao silêncio. Então, a mim me parece que isso é inclusive um instrumento de reequilíbrio dessa relação que é de hipossuficiência do cidadão frente às autoridades.
Não vai intimidar juízes e investigadores?
O próprio nome ‘juiz de direito’ supõe que seja ‘juiz de direito’, não ‘juiz do errado’. O juiz falar: ‘Preciso ter mais liberdade, fazer algo mais enfático, quem sabe dar um tapa no réu?’ Quer dizer, não, isso não pode. Então, cumprir a lei no seu rigor. Quem é rigoroso para com os outros tem de ser para consigo mesmo.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Moro é 'patrimônio nacional que conseguiu ponto de inflexão na corrupção', diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia de assinatura de Medida Provisória para confisco de bens de traficantes com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.© Valter Campanato / Agência Brasil (17/06/2019) O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia de assinatura de Medida Provisória para confisco de bens de traficantes com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a abordar, nesta sexta (21), durante entrevista coletiva à imprensa, a situação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, após o vazamento de diálogos entre ele e procuradores da Operação Lava Jato
Segundo Bolsonaro. Moro é "patrimônio nacional" e conseguiu "ponto de inflexão na corrupção" no País.
Bolsonaro também colocou novamente em dúvida a veracidade dos diálogos publicados pelo site The Intercept Brasil. "Ninguém tem certeza da fidelidade do que está publicado", disse.
Sobre a participação de Moro em audiência pública recente no Senado, Bolsonaro avaliou que o ministro saiu "mais fortalecido do que entrou".

Raquel Dodge se manifesta contra Lula no caso do tríplex

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que deu mais um parecer contrário para a defesa de Lula© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilA procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que deu mais um parecer contrário para a defesa de Lula
A procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, encaminhou nesta sexta-feira (21) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contrário ao pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anular sua condenação no caso do tríplex de Guarujá.
A solicitação da defesa de Lula foi feita sob o argumento de que Moro não foi imparcial na análise do caso. O pedido foi reforçado por petição apresentada no dia 13. Eles dizem que as conversas de Moro e Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, revelam “completo rompimento da imparcialidade” do ex-juiz.
Diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil envolvendo a atuação do ex-juiz e hoje ministro Sergio Moro (Justiça) fizeram a Segunda Turma do Supremo desengavetar um pedido do ex-presidente pela anulação do processo que levou o petista à prisão em abril do ano passado.
A ação está na pauta do STF da próxima terça-feira, 25.
Nas conversas publicadas pelo site desde o dia 9, Moro sugere ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobra a realização de novas operações, dá conselhos e pistas e antecipa ao menos uma decisão judicial.

De Bebianno a Floriano: as mudanças no 1º escalão do governo Bolsonaro em seis meses

Peixoto assume os Correios no lugar do general Juarez Cunha© ABR Peixoto assume os Correios no lugar do general Juarez Cunha
A dança das cadeiras precoce no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) continua.
Jorge Francisco de Oliveira será o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, segundo anunciou o presidente nesta sexta-feira, 21 de junho. O cargo era até então ocupado pelo general Floriano Peixoto, que foi transferido para o comando dos Correios.
Oliveira comandava a Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, órgão que analisa a legalidade dos atos presidenciais - área que passará a integrar a Secretaria-Geral.
Oliveira disse que, em um primeiro momento, acumulará a função com a de ministro.
Advogado e policial da reserva, Oliveira é considerado um nome de confiança de Bolsonaro.
Ele tem uma relação de longa data com a família. Seu pai foi por 20 anos assessor do presidente quando ele ainda era deputado federal. Por sua vez, Oliveira assessorava o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, na Câmara.
"[Oliveira] me acompanha há mais de 10 anos, 15 anos. É o prefeito do Planalto. Desejo a ele boa sorte, felicidades e mais do que isso, temos plena confiança no trabalho dele, como tínhamos no do Floriano", disse o presidente.
Por sua vez, Peixoto entrará no lugar do general Juarez Cunha, que estava na presidência dos Correios desde novembro passado. Nomeado por Michel Temer, foi mantido no cargo por Bolsonaro.
A demissão de Cunha foi anunciada na semana passada pelo Planalto, sob o argumento de que o militar se comportava "como sindicalista" e é contra a privatização dos Correios.
A troca representa a quinta mudança entre os nomes fortes do governo Bolsonaro em seis meses. Confira a seguir quem já deixou cargos do primeiro escalão ou maior destaque neste período e quem assumiu em seu lugar.

Gustavo Bebianno

Bebianno foi demitido da Secretaria-Geral por 'incompreensões e questões mal entendidas', como definiu Bolsonaro© ABR Bebianno foi demitido da Secretaria-Geral por 'incompreensões e questões mal entendidas', como definiu Bolsonaro
Homem de confiança de Bolsonaro e um dos coordenadores da campanha à Presidência, Gustavo Bebianno não durou muito tempo no governo.
No dia 18 de fevereiro ele foi demitido da Secretaria-Geral por "incompreensões e questões mal entendidas", como definiu o presidente em nota. Essa seria a primeira das três mudanças que ocorreram na pasta em menos de seis meses de governo.
A demissão ocorreu em meio a uma crise após o jornal Folha de S.Paulo revelar que Bebianno repassou, quando presidia o PSL, R$ 400 mil para a campanha de uma candidata a deputada federal em Pernambuco que recebeu 274 votos.
A crise se agravou quando Bebianno se desentendeu com Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente e vereador no Rio de Janeiro. 

Após negar que fosse pivô de uma crise no governo e dizer que falou com o presidente três vezes com o presidente naquele dia, Bebianno despertou a fúria de Carlos.
O filho de Bolsonaro usou as redes sociais para dizer que Bebianno mentiu e chegou a divulgar um áudio no qual, segundo eles, o presidente diz que não poderia falar com o ministro.
Bebianno foi sucedido pelo general Floriano, que agora dá lugar a Oliveira.

Ricardo Vélez Rodríguez

O colombiano Ricardo Vélez ficou 97 dias à frente do MEC© Reuters O colombiano Ricardo Vélez ficou 97 dias à frente do MEC
Indicado por Olavo de Carvalho para o Ministério da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido em 8 de abril, após uma série de polêmicas e desgastes nos 97 dias em que esteve à frente da pasta.
Enquanto era ministro, Vélez criticou turistas brasileiros ao dizer que agiam como "canibais". "Acha que sai de casa e pode carregar tudo", declarou. Depois, desculpou-se e afirmou amar o Brasil e seu povo "incondicionalmente".
Em fevereiro, foi criticado por enviar uma carta a diretores de escolas em que pedia que os alunos fossem filmados cantando o Hino Nacional, sem que houvesse autorização dos pais, e encerrou o texto com o slogan de campanha do presidente - "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" -, o que é ilegal.
Depois, recuou na medida e divulgou uma versão do texto sem a frase e afirmando que a questão do hino era apenas uma sugestão.
Atritos e disputas internos também levaram à saída de alguns de seus subordinados, como o ex-assessor especial Silvio Grimaldo e o ex-secretário executivo Luiz Antonio Tozi.
Dias antes de anunciar a demissão, em um encontro com jornalistas, Bolsonaro disse que Vélez é "uma boa pessoa", mas que estava "bastante claro que não está dando certo (sua gestão)".
Em seu lugar, assumiu o economista Abraham Weintraub, que foi um dos integrantes da equipe do governo de transição comandada pelo atual ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Carlos Alberto dos Santos Cruz

Após demisão, Santos Cruz disse que governo Bolsonaro se perde com "besteiras"© Reuters Após demisão, Santos Cruz disse que governo Bolsonaro se perde com "besteiras"
Durante os seis meses em que fez parte da Secretaria de Governo, o general Santos Cruz se envolveu em alguns embates com os filhos de Jair Bolsonaro e o filósofo Olavo de Carvalho.
Um desses embates começou após uma entrevista de Santos Cruz à rádio Jovem Pan. Na ocasião, ele disse aos jornalistas que a influência das redes sociais é benéfica, mas também pode "tumultuar" e que deve haver cuidado para que ela não vire uma "arma de discórdia".
Jair Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma mensagem irônica sugerindo que defensores de qualquer controle de meios de comunicação ou da internet poderiam fazer um estágio "na Coreia do Norte ou em Cuba".
Olavo de Carvalho também respondeu de maneira mais ríspida: "Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda".
Além desse desgaste, Santos Cruz ainda teria discordado com diversas decisões tomadas pelo pelotão de elite do governo e foi demitido mesmo após fazer uma ampla defesa do governo no Senado.
Uma semana após deixar o cargo, Santos Cruz disse em entrevista à revista Época que o governo Bolsonaro se perde em "um show de besteiras". Na quinta-feira, depois de participar da Marcha para Jesus, o presidente disse que o general é uma "página virada".

Joaquim Levy

O economista Joaquim Levy deixou o governo após o presidente dizer que sua cabeça estava 'a prêmio'© Reuters O economista Joaquim Levy deixou o governo após o presidente dizer que sua cabeça estava 'a prêmio'
O economista liberal pediu demissão da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 16 de junho, após Bolsonaro dizer que Levy estava com "a cabeça a prêmio". Foi a primeira baixa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.
O presidente não aprovou a indicação, feita por Levy, de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco porque ele foi assessor na instituição durante o governo do PT.
Levy também fez parte da gestão petista, como ministro da Fazenda de Dilma Rousseff. Mas Bolsonaro disse em outra ocasião que havia dado um voto de confiança a ele a pedido de Guedes, porque não havia nada que o desabonasse.
O descontentamento se deveria ainda ao fato de Levy não ter entregado uma promessa de campanha de Bolsonaro: abrir a suposta "caixa-preta" do BNDES, investigando supostas irregularidades ou ilegalidades em operações do banco durante os governos do PT, como o financiamento a empreendimentos no exterior ou empréstimos a grandes empresas brasileiras.
O próprio Guedes também teria ficado insatisfeito com o fato de Levy não estar liberando um repasse maior de recursos do BNDES para a União para ajudar a fechar as contas públicas.
Para seu lugar, foi escolhido o engenheiro e economista Gustavo Henrique Moreira Montezano, então secretário especial adjunto de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, que estaria mais alinhado com os objetivos do governo.

Classificação às oitavas de final da Copa América renderá R$ 7,7 milhões para a CBF

Tite© Getty Images Tite
Uma possível classificação do Brasil às oitavas de final da Copa América, sábado, diante do Peru, em Itaquera, renderá à CBF US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões). Esse é o valor que a Conmebol pagará a cada seleção que avançar à fase mata-mata do torneio. Se o Brasil for campeão, a premiação será de US$ 7,5 milhões (R$ 28,9 milhões).
Independentemente do desempenho da seleção brasileira no torneio, a CBF tem garantidos US$ 4 milhões (R$ 15,4 milhões), divididos em três faixas: US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões) por participação, US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) para preparação e US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) por logística. Esses valores totais são pagos apenas para seleções da América do Sul. Japão e Catar, que disputam o torneio como convidados, recebem cada um US$ 1,25 milhão (R$ 4,8 milhões). As quatro seleções eliminadas na primeira fase só ganharão o dinheiro por participação, logística e preparação, sem recebimento de prêmio.
Um empate contra o Peru, sábado, é o suficiente para o Brasil garantir a classificação nas oitavas de final. É possível que a equipe avance até em caso de derrota dependendo de uma combinação de resultados. Assim, a vaga pode ser definida no saldo de gols.
Ao todo, a Conmebol repartirá US$ 70 milhões (R$ 268,7 milhões) entre as 12 seleções participantes da Copa América. De acordo com o presidente da entidade, Alejandro Domínguez, o valor é recorde na história da competição. Em relação à última edição, disputada em 2016, nos Estados Unidos, o valor da premiação mais do que triplicou. Há três anos, foram distribuídos US$ 21 milhões (R$ 80,6 milhões pelo câmbio atual). O aumento faz parte da nova política da Conmebol, que fez o mesmo com a Libertadores e a Sul-Americana.
Veja os valores da premiação da Copa América:
Prêmio por participação para seleções da América do Sul: US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões)
Prêmio por participação para Japão e Catar: US$ 1,25 milhão (R$ 4,8 milhões)
Prêmio para preparação para seleções da América do Sul: US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões)
Prêmio para logística para seleções da América do Sul: US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões)
Campeão - US$ 7,5 milhões (R$ 28,9 milhões)
Vice - US$ 5 milhões (R$ 19,2 milhões)
3º lugar - US$ 4 milhões (R$ 15,4 milhões)
4º lugar - US$ 3 milhões (R$ 11,5 milhões)
5º lugar - US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões)
6º lugar - US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões)
7º lugar - US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões)
8º lugar - US$ 2 milhões (R$ 7,7 milhões)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Fux diz que juiz precisa ser olimpicamente independente

.© Reuters/UESLEI MARCELINO .
Os juízes precisam ser olimpicamente independentes, disse nesta segunda-feira o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, num momento em que ocorrem vazamentos de supostas conversas via aplicativo de mensagens entre o ex-juiz e agora ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, com procuradores que atuam na força-tarefa da Lava Jato.
“Nós juízes devemos ser, em primeiro lugar, independentes. Olimpicamente independentes. E temos por dever de ofício ter um conhecimento enciclopédico e uma nobreza de caráter e acima de tudo termos a arte de fazermos uma justiça caridosa", disse Fux em evento da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro.
Mais tarde, Fux voltou a falar sobre o tema com jornalistas, e reforçou que juízes não podem ficar sujeitos a nenhum tipo de pressão. O ministro do Supremo, no entanto, evitou fazer comentários diretos sobre as supostas conversas entre Moro e procuradores da Lava Jato.
“Tenho profundo respeito por esse magistrado (Moro) e não vou me imiscuir na independência dele, assim como não gostaria que ele comentasse qualquer atividade minha", disse.
O próprio Fux foi citado em supostas mensagens vazadas. Numa delas, entre o procurador Deltan Dallagnol e Moro, o então juiz teria dito "in Fux we trust" (algo como "no Fux, a gente confia") ao comentar um caso.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

Gustavo Montezano é escolhido para substituir Levy à frente do BNDES

Gustavo Montezano, novo presidente do BNDES - 22/03/2019© Hoana Gonçalves/Ministério da Economia/Flickr/Divulgação Gustavo Montezano, novo presidente do BNDES - 22/03/2019
São Paulo – Gustavo Montezano é a escolha do governo para substituir Joaquim Levy na presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Levy pediu demissão no domingo, 16, após desavença com o presidente Jair Bolsonaro, que disse anteriormente estar “por aqui” com o executivo.
E nota, o ministério da Economia informou que encaminhou o nome de Montezano para o Conselho de Administração do banco e agradeceu a Joaquim Levy “pela dedicação demonstrada enquanto presidente do BNDES”.
Montezano ocupa atualmente o cargo de secretario especial adjunto no Ministério da Economia, na área de desestatização.
Graduado em engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e mestre em Finanças pelo Ibmec, Montezano tem 17 anos de carreira no mercado financeiro. Foi sócio do Banco Pactual, tendo atuado como diretor-executivo da área de commodities em Londres e anteriormente como responsável pela área de crédito, resseguros e “project finance”. Ele iniciou sua carreira como analista de Private Equity no Opportunity no Rio de Janeiro.