segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Chefe da Casa Civil diz que Brasil deve estar preparado para crise prolongada

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, demonstrou preocupação com o cenário econômico mundial nesta segunda-feira e disse que a situação financeira internacional é "séria". Gleisi representou a presidente Dilma Rousseff na abertura do seminário "Políticas públicas para a nova classe média", em Brasília, e, em seu discurso, deu o que parecia ser um recado da presidente.

Para ela, o país deve estar preparado para enfrentar uma crise prolongada. "Todos sabemos que a situação da economia mundial é séria. Nesses países, os governos não têm estado à altura da complexidade da situação e têm jogado para o mundo as consequências das suas incapacidades. Temos que agir com cuidado e responsabilidade. A última coisa que queremos é colocar em risco o nosso projeto de desenvolvimento. Os tempos são duros e precisamos estar preparados para proteger o Brasil dessa crise, que dá sinais de ser prolongada", afirmou.
O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Moreira Franco, que participou da abertura do seminário, também demonstrou preocupação com a situação da economia mundial, que classificou de "esquisita".

Segundo Moreira Franco, não é possível ignorar o cenário financeiro internacional ao pensar as políticas públicas para fortalecer a economia brasileira. "Ao construir esse caminho precisamos enfrentar um ambiente econômico internacional extremamente esquisito. É uma coisa tão inconcebível para a minha geração. Certamente teremos problemas aqui porque vivemos num mundo globalizado, e temos dois caminhos: continuar na visão pragmática de que temos que evitar que a crise chegue ou pegar essa realidade social, esse ativo social. Hoje podemos dizer que é compatível crescer e distribuir renda, esse processo gera a nova classe média", disse.

Ao longo desta segunda-feira, autoridades e especialistas vão debater políticas públicas para a nova classe média, fenômeno que surgiu há menos de dez anos no Brasil. Na última década, 30 milhões de pessoas ascenderam à classe 'C', que chegou a representar, pela primeira vez na história, mais da metade da população brasileira.

"O que queremos fazer hoje aqui é reunir todos os que estão pensando o fenômeno, trazer o governo, desenhar políticas que permitam manter a mobilidade para consolidar a conquista da última década, para torná-la permanente, até perpétua. Se não conseguirmos manter a mobilidade, pelo menos uma trava para que esse segmento não retroceda", disse Moreira Franco.


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