PALAVRA DO SENADOR MARIO COUTO (PSDB-PA), EM DISCURSO DA TRIBUNA DO PLENÁRIO NO QUAL DEFENDEU A CASSAÇÃO DE DEMÓSTENES TORRES; ANTES DELE, PEDRO TAQUES SENTENCIOU: "O SENHOR FERIU DE MORTE A DIGNIDADE DO MANDATO"; ASSISTA.
Está em curso a sessão do Senado que deve cassar o mandato do senador Demóstenes Torres, por quebra de decoro parlamentar. Presidida pelo senador José Sarney, a sessão tem as galerias lotadas pelo público. O relator da Comissão de Ética, Humberto Costa, será o primeiro a falar. Em seguida, o relator da Comissão de Constituição e Justiça, Pedro Taques. Cada senador poderá se pronunciar por dez minutos. A defesa a ser feita pelo próprio Demóstenes tera vinte minutos. Mesmo pelo sistema de votação secreta, ele deve ser o segundo senador da história cassado por seus pares.
"Como alguém da intimidade desse cidadão (Carlinhos Cachoeira) poderia não saber das atividades criminosas dele, que fora indiciado por seis crimes em Goiás, onde o senhor foi procurador de Justiça por dois mandatos?", perguntou o senador Humberto Costa, da tribuna, na direção de Demóstenes Torres, em seu discurso de acusação. "O senhor procurou constranger o governo federal, por meio da Caixa Econômica Federal, em 2003, por um acordo com a Getec", acusou.
"Em seguida, participou da acusação de Valdomiro Diniz, como se tivesse uma antevisão, mas poupou seu amigo Cachoeira". O senador lembrou que Demóstenes chegou a visar Cachoeira sobre operações da Polícia Federal. "Isso poderia ter custado a vida de agentes públicos", frisou Costa. Não é aceitável que um senador tenha contas pagas por alguém, quanto mais um contraventor. Costa enumerou que Demóstenes ganhou, entre outros bens, uma geladeira e um fogão que custaram 25 mil dólares a Cachoeira. "Eram encomendas", frisou o senador que presidiu a Comissão de Ética.
Terceiro parlamentar a falar, o senador Mario Couto (PSDB-PA) também condenou as atitudes de Demóstenes e afirmou que a "Casa está desmoralizada". O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), em seu discurso, destacou que não seria possível o senador desconhecer as atividades ilegais de Carlos Cachoeira. "O que está em jogo não é apenas o mandato de um parlamentar, mas a reputação de todo o Senado federal", afirmou.
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