segunda-feira, 9 de julho de 2012

A disputa presidencial para 2014 serviu como pano de fundo para o realinhamento das forças políticas nacionais em um patamar mais à esquerda, com o crescimento da legenda socialista na disputa pelas cadeiras parlamentares municipais e as prefeituras das principais cidades brasileiras. Esta nova dimensão eleitoral constava no cardápio do jantar confirmado para a noite desta segunda-feira, entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, um dos principais líderes socialistas, e a presidenta Dilma Rousseff. O encontro foi marcado após o líder pernambucano declarar, durante rompimento da aliança com os petistas em Recife, na noite de sexta-feira, que “o PT dá mais trabalho ao governo Dilma do que o PSB”. O governador Cid Gomes (PSB-CE) também se fará presente ao encontro.

Campos, um dos nomes cotados para concorrer à Presidência da República em 2014, tem repetido que apoiará uma eventual campanha para a reeleição de Dilma, mas deixa claro que tem um projeto de poder para 2018. No encontro, os governadores e a presidenta tendem a avaliar melhor a ruptura entre o PSB e PT em capitais como Belo Horizonte e Fortaleza. Em Recife, a dissolução da aliança passou por momentos traumáticos, com a renúncia do deputado federal Maurício Rands (PE) ao seu mandato, poucos dias após ele deixar o PT, em represália à interferência da direção nacional do partido na definição do candidato petista em Recife.

A interlocutores ele afirmou que preferiu renunciar ao mandato a enfrentar um processo de cassação por infidelidade partidária. De acordo com a legislação, nessas condições, o mandato pertence ao partido, e não ao político. A formalização da renúncia foi feita em texto lido no plenário da Câmara dos Deputados. Antes, ao deixar o PT, Rands divulgara uma carta na qual criticava seu antigo partido.

“Concluí que esgotei por inteiro minha motivação e a razão para continuar lutando por uma renovação no PT. Na luta pela renovação do partido, no Recife e em outros lugares, têm prevalecido posições da direção nacional, adotadas autoritária e burocraticamente, distantes da realidade dos militantes na base partidária”, escreveu o deputado, que era filiado ao PT há mais de 20 anos.

“Renuncio ao mandato por acreditar que já cumpri com minha missão, apresentando, debatendo e aprovando matérias relevantes e, sobretudo, legislando sempre com o norte do interesse coletivo e do aperfeiçoamento democrático”, diz Rands, em trecho do documento. “Reitero a todos que saio da vida pública e da política partidária para exercer ainda mais plenamente a cidadania”, conclui a carta, com agradecimento a seus eleitores. O desligamento de Rands ocorreu depois que a direção nacional do partido interveio na cidade para anular prévia que poderia levar à escolha do atual prefeito, João da Costa.

O distanciamento entre o PSB, que mira no Palácio do Planalto para 2018, e o projeto petista de poder se evidencia cada vez mais na capital mineira, onde a troca de farpas no anúncio do rompimento de uma das mais sólidas parcerias entre as duas siglas mostrou um alinhamento de contorno ainda duvidoso quanto ao matiz ideológico, mas de objetivos claros em termos eleitorais. Campos (PE), na presidência nacional do PSB, comanda nos bastidores esta tentativa de se afastar dos petistas, com a redução à metade do número de capitais em que apoiará candidatos do PT a prefeito, em comparação com quatro anos atrás. Nesse período, o PSB engrossava campanhas petistas em dez capitais. Esse número foi reduzido a cinco e a legenda socialista lançará candidaturas próprias em 11 capitais, quatro a mais do que em 2008.

Junto com o PCdoB e outras legendas menores, o PSB tem servido como esteio ao arco das esquerdas no país, com o PT à frente. Com a eleição de Campos em Pernambuco, por uma margem ampla de votos, o partido ganhou estatura para buscar novos patamares eleitorais. Presentes no governo de outros cinco Estados, além da ampliação de sua representação no Congresso com a conquista de 34 vagas na Câmara dos Deputados e três no Senado, os socialistas passaram a estabelecer uma nova receita para a aliança petista e o caldo engrossou no Nordeste. Em Fortaleza, atritos entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o governador Cid Gomes (PSB) levaram as siglas a lançar candidatos concorrentes. Presidente nacional do PT, Rui Falcão disse que o PSB queria crescer no Nordeste “em cima” do PT e complicou ainda mais a tarefa dos negociadores. O resultado é que, este ano, o PSB lança candidaturas próprias em cinco das nove capitais nordestinas.

Oficialmente, o PSB admite que Campos e Cid Gomes tentam exercer a hegemonia política nos Estados em que governam. Como afirmou o vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, a “aliança entre iguais compreende independência, que não rima com alinhamento automático”. O acordo entre as legendas ainda sobrevive em São Paulo, mesmo depois do abraço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao deputado Paulo Maluf (PP-SP), em nome da campanha de Fernando Haddad. O ato representou a imediata renúncia da então candidata a vice na chapa, a deputada federal Heloisa Erundina. O apoio a Haddad, no entanto está restrito à direção nacional, pois o diretório estadual do PSB está alinhado aos tucanos, na campanha de José Serra. Não houve intervenção federal por conta disso.

Caminho de Minas

Na capital mineira, onde a seção estadual do PT oficializou o fim da aliança com o prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição, e oficializou o ex-ministro Patrus Ananias como candidato à prefeitura, o motivo alegado foi a recusa do PSB local de dividir com o PT a coligação para as candidaturas a vereador. Mas o desenho nacional repete seu padrão nas Alterosas. Lacerda, com isso, ganhou o apoio do PDT, do PTB, do deputado federal Eros Biondini, e do DEM, do estadual Gustavo Corrêa. Ananias segue com aliados do PMDB, do PSD de Gilberto Kassab, prefeito paulistano e prócer da campanha de José Serra, e do PCdoB, adversário ferrenho nos demais Estados do país.

Em Minas, o PSB consolida sua aliança com o senador Aécio Neves (PSDB), amigo pessoal de Campos e Ciro Gomes, irmão do governador cearense. Desta forma, as forças políticas se polarizam entre os principais aliados do líder tucano mineiro e os pilares nacionais da base aliada que sustenta a presidente Dilma Rousseff (PT). Apesar de o grupo de Lacerda ter 14 siglas a mais, há uma situação de equilíbrio devido ao fato de o tempo de mídia ser proporcional às bancadas das legendas na Câmara dos Deputados

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ex-cunhado de Cachoeira é preso em Anápolis

ADRIANO APRÍGIO É ACUSADO DE AMEAÇAR A PROCURADORA LÉA BATISTA, UMA DAS RESPONSÁVEIS PELA PRISÃO DO CONTRAVENTOR; APONTADO COMO PRINCIPAL LARANJA DE CACHOEIRA, APRÍGIO É UM NOVO HOMEM-BOMBA; COM ELE, ESTÃO OS VÍDEOS QUE O BICHEIRO FILMOU AO LONGO DOS ÚLTIMOS ANOS

A Polícia Federal prendeu na manhã de hoje Adriano Aprígio de Souza, ex-cunhado do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ele é suspeito de enviar por e-mail ameaças para a procuradora da República Léa Batista de Oliveira. Segundo a investigação da PF, três mensagens sairam de sua casa, em Anápolis (GO). Irmão de Andreia Aprígio, que administra o laboratório de medicamentos Vitapan (o braço legal dos negócios do contraventor), Adriano é apontado na Operação Monte Carlo como o principal laranja de Cachoeira. Num dos grampos da operação, o bicheiro diz que está preocupado porque a Adriano está se separando da mulher e "os trem tá tudo no nome dele".

Peritos da PF de Goiânia descobriram que três e-mails com ameaças à procuradora foram enviados da casa de Aprígio. Em um dos e-mails, o cunhado de Cachoeira diz que a procuradora tinha "destruído a vida dele". Adriano era um dos principais auxiliares do contraventor. De acordo com a polícia, na casa dele, em Goiânia, foram apreendidas importantes provas contra a organização do bicheiro.

Léa recebeu no dia 13 de junho e-mail assinado por alguém que se denominou "Injustiçado". A mensagem dizia que a procuradora estava sendo muito dura no caso e que parentes de Cachoeira continuavam ganhando dinheiro com a exploração ilegal de jogos. No dia 23 de junho, a procuradora recebeu um outro e-mail de tom mais ameaçador com o título: "Cuidado". O remetente, que assina como Silvio Caetano Rosa, resume a ameaça em apenas uma frase: "Sua vadia ainda vamos te pegar, cuidado, você e sua família correm perigo".

Adriano Aprígio é o novo homem-bomba. Com ele, estão os vídeos gravados pelo bicheiro nos últimos anos, como o exibido no domingo passado pelo Fantástico, da TV Globo, em que ele aparece negociando com o prefeito de Palmar (TO), Raul Filho. Ciente de que há gravações guardadas, visto o antigo hábito do bicheiro de registrar as conversas que tinha com políticos e empresários, o Congresso aguarda apreensivo por novas imagens, que podem envolver parlamentares até agora fora do caso.

Com informações de O Globo

Assalto ao trem pagador é só a ponta de um iceberg

PRISÃO DE JOSÉ FRANCISCO DAS NEVES, O “JUQUINHA”, PODE LEVAR A PEIXES MAIORES; NO GOVERNO, ELE FOI PROTEGIDO DE JOSÉ SARNEY, DO PMDB, E VALDEMAR COSTA NETO, DO PR; ATÉ IDELI SALVATTI, DO PT, TENTOU SEGURÁ-LO NA “FAXINA”; SUPERFATURAMENTO NA NORTE-SUL ALIMENTOU CAMPANHAS ELEITORAIS E O ESCÂNDALO PODERÁ RIVALIZAR COM O CASO CACHOEIRA


Estava inspirado o delegado da Polícia Federal que batizou como “Trem Pagador” a operação que, na manhã de ontem, prendeu, em Goiânia, José Francisco das Neves, o “Juquinha”, que, entre 2003 e 2011, todo o governo Lula e primeiro ano de Dilma Rousseff, presidiu a Valec, a estatal responsável por projetos ferroviários no Brasil. O nome da operação é uma referência a uma das melhores produções do cinema nacional: “O Assalto ao Trem Pagador”, dirigida por Roberto Farias, em 1962. Na trama, um grupo de criminosos articula o assalto ao trem pagador da Central do Brasil, mas eles também combinam não gastar o fruto do crime antes do primeiro ano, para não levantar suspeitas. Antes disso, acabam caindo em armadilhas.

“Juquinha”, ao contrário dos personagens do filme, não tomou os cuidados em evitar os chamados “sinais exteriores de riqueza”. Construiu três mansões de luxo no condomínio Alphaville Ipês, o mesmo em que Carlos Cachoeira foi preso, e adquiriu algumas das melhores fazendas de Goiás. Nos oito anos de governo, o patrimônio declarado dele e da esposa saltou de R$ 1,5 milhão para R$ 14 milhões, mas a Polícia Federal estima que os bens comprados pelo casal – e em alguns casos doados aos filhos – valham entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões.

As investigações começaram no ano passado, quando o Tribunal de Contas apontou superfaturamento de, pelo menos, R$ 100 milhões nas obras da Norte-Sul, que ligam o Maranhão a Goiás. Idealizada no governo de José Sarney, a ferrovia foi alvo de muitas críticas, mas é uma obra necessária, que tem levado desenvolvimento para fronteiras agrícolas do Maranhão, do Piauí, de Tocantins e de Goiás.

O problema é o superfaturamento. E é aí que entram as empreiteiras. Na Operação Trem Pagador, foram também citadas as construtoras Constran e EIT. A Constran pertenceu a Olacyr de Moraes e foi comprada por Ricardo Pessoa, ex-diretor da OAS. A EIT, que tem sua origem no Ceará, é tida como uma empresa próxima a Fernando Sarney. Tanto a EIT quanto a UTC, outra construtora de Ricardo Pessoa, estão juntas no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Coincidência ou não, estão na mira de Fernando Cavendish – o dono da Delta tem plantado notícias na imprensa sinalizando que as empresas de Ricardo Pessoa usam a mesma rede de laranjas da Delta.

Hábil operador político, “Juquinha” chegou à Valec por indicação do ex-vice-presidente José Alencar. No PR, ele se aproximou muito do deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), um dos principais operadores do mensalão, e conseguiu garantir seu espaço no Ministério dos Transportes. No governo, ele era tido como “metade Valdemar”, “metade Sarney”. Ou seja: defendia interesses do PR e do PMDB na área ferroviária. E nunca foi mistério, em Brasília, que ele também atuou na arrecadação de recursos para campanhas eleitorais.

No início de 2011, quando veio a “faxina” no Ministério dos Transportes, “Juquinha” dizia em Goiânia que o problema da presidente Dilma Rousseff era com o ministro Alfredo Nascimento, não com ele. Reportagens da época registraram que até a ministra Ideli Salvatti, do PT, entrou em cena para tentar preservá-lo. Ele teria caído apenas porque o PR se fechou em torno de Alfredo Nascimento.

Sorte do governo Dilma. Se estivesse ainda no governo, “Juquinha” estaria cuidando do projeto do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo. Coisa pequena. Uma “coisica” de R$ 35 bilhões.



quinta-feira, 5 de julho de 2012

PSDB agora fala em herança maldita de Lula

PRESIDENTE DO PARTIDO, SERGIO GUERRA, DIZ QUE O APARELHAMENTO NA ESTATAL AGORA COBRA SEU PREÇO, COM IMPORTAÇÃO DE GASOLINA, DIESEL E ETANOL; ESPAÇO PARA CRÍTICA À ERA LULA FOI ABERTO PELA PRÓPRIA PRESIDENTE DA ESTATAL, GRAÇA FOSTER, QUE APONTOU “METAS NÃO REALISTAS” NA EMPRESA; PETISTAS ESTÃO INSATISFEITOS COM O ESTILO GRAÇA



 Nos oito anos em que presidiu o País, o ex-presidente Lula atacou a chamada “herança maldita” deixada pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso. Agora, os tucanos dão o troco. E escolheram como foco da crítica a Petrobras. Num artigo publicado nesta quinta-feira por Sergio Guerra, presidente do partido, os tucanos aproveitam-se da brecha aberta pela nova presidente da estatal, Graça Foster, que criticou as “metas não realistas” da estatal na era Lula. O ex-presidente, nem é preciso dizer, está possesso com Graça Foster. Leia, abaixo, o artigo de Guerra:



No primeiro plano de negócios (2012-2016) divulgado pela atual presidente da Petrobras, Graça Foster, não deixa margem para qualquer dúvida: o desempenho da estatal vem retrocedendo desde que o PT chegou ao poder, em 2003.

Depois de verificar que a empresa não vinha cumprindo as metas de produção estabelecidas, Graça Foster decidiu rever esses números para um patamar que definiu como mais "realista", deixando clara sua reprovação em relação à herança - por que não dizer maldita - recebida de seu antecessor, Sérgio Gabrielli.

Ao reconhecer o atraso em mais de um ano na operação de novas plataformas, a presidente da estatal baixou em 700 mil barris de petróleo por dia a estimativa de aumento da produção até 2020.

Essa parece ser a primeira de uma série de mudanças na gestão da estatal, que ao longo dos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu forte pressão política e acabou tendo parte de seus cargos técnicos e diretorias dividida entre aliados da base governista.

A interferência política na gestão da Petrobras ficou bastante clara em 2007, após a descoberta do campo de Tupy no pré-sal e da decisão do governo Lula de alterar o marco regulatório do petróleo - de comprovado sucesso formulado e implementado no governo do PSDB - em meio a uma intensa campanha publicitária vinculada ao projeto eleitoral do PT, em 2010, que acabou garantindo a eleição de Dilma Rousseff.

O resultado desta "reforma da reforma" foi um desastre para o setor e para a Petrobras.

Aos poucos os prejuízos estão sendo percebidos e contabilizados. Graça Foster tenta consertar a irracionalidade e o aparelhamento partidário dentro da empresa na medida do possível, mas o setor foi desorganizado e o modelo institucional perdeu bastante credibilidade.

Sob a batuta de Fernando Henrique, com a flexibilização do monopólio da Petrobras, uma atuação firme da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a realização de leilões anualmente, o Brasil viu sua produção de petróleo crescer em 150%.

Com a suspensão dos leilões desde 2008, deixamos de arrecadar algo em torno de R$ 15 bilhões nos últimos quatro anos.

Além disso, a área exploratória sob concessão, que alcançou um máximo de 341 mil km² em 2009, será reduzida para 114 mil km² no final de 2012, em razão da falta de novos leilões, o que deverá comprometer ainda mais a produção futura de petróleo no país.

Os investimentos privados definham, as empresas estrangeiras vão embora e a Petrobras e a OGX se desvalorizam.

Só na semana passada, os acionistas da Petrobras amargaram uma perda de R$ 22,3 bilhões.

Esse processo de desvalorização começou em 2009, quando o governo iniciou uma operação de capitalização da Petrobras que se mostrou desastrosa para o acionista minoritário.

Além de demorar mais de um ano, devido a uma série de indefinições e de uma total politização de todo o processo, provocou uma desvalorização de 43% nas ações da empresa desde então.

Com isso, fica cada vez mais distante o sonho da autossuficiência na produção de petróleo.

Os números falam por si: a importação de gasolina, por parte do Brasil, passou de nove mil barris diários em 2010 para 80 mil, de acordo com as estimativas previstas para este ano.

Se não bastasse, estamos também importando diesel e etanol.

Sampaio confronta Odair e prepara relatório à parte

PARA O DEPUTADO TUCANO, NÚMEROS DA COMISSÃO MOSTRAM QUE ODAIR CUNHA (PT) DEIXOU DEPOIMENTOS DE PESSOAS LIGADAS AO CONTRAVENTOR EM SEGUNDO PLANO PARA RESTRINGIR INVESTIGAÇÃO AO GOVERNADOR DE GOIÁS; PSDB AMEAÇA PROCESSAR O PETISTA POR VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS

O deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), que integra a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, afirmou que pretende apresentar um parecer independente ao do relator dos trabalhos, deputado federal Odair Cunha (PT-MG). Sampaio disse que o balanço da atuação da CPI até agora mostra "claro direcionamento das investigações" contra a oposição e que o relatório paralelo seria uma alternativa, apoiada por outros partidos, de conferir maior equilíbrio às conclusões da apuração. Segundo Sampaio, a atuação de Odair revela um claro viés de perseguição contra a oposição, notadamente o governador de Goiás, Marconi Perillo.

“Os números falam por si só. Levantamento estatístico mostra que o relator ouviu até agora 42% das pessoas ligadas ao governador e apenas 19% ligadas ao núcleo criminoso que é o objeto da CPI. Ou seja, ligadas ao Carlos Cachoeira", diz o deputado Sampaio. "Não investigam o Cachoeira nem seu braço financeiro (Delta), mas investigam Marconi Perillo, que não faz parte de núcleo criminoso algum. Há um direcionamento e o relator precisa rever seu posicionamento”, observa o deputado.

Os números divulgados pelo secretariado da CPMI do Cachoeira confirmam as informações de Sampaio. Apesar de Cachoeira ser o objeto dos trabalhos da comissão, os parlamentares ouviram 12 pessoas ligadas a Perillo e 10 envolvidos no esquema do contraventor, que permanece preso sob a acusação da prática de vários crimes, entre eles exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro desviado de concorrências públicas em diversos Estados.

Ainda segundo os dados, foram aprovados 49 requerimentos referentes a 28 pessoas ligadas a Perillo. Até agora, a CPI ouviu 12, ou 42% dos indicados. Já em relação a Cachoeira, foram 116 requerimentos aprovados referentes a 51 pessoas, mas foram ouvidas 10 pessoas até agora – 19% das pessoas indicadas pelos parlamentares da comissão.

Sampaio defendeu a criação de sub-relatorias para dividir a condução dos trabalhos. Segundo lembrou, as maiores CPIs do Congresso usaram esse instrumento. O relator petista não aceitou criar os grupos. “Técnicos colocados à disposição da CPI estão, na verdade, à disposição só do relator. Não sei quem são, não consigo consultá-los e não sei onde ficam. Portanto, não tenho como dizer que os técnicos estão à disposição do colegiado”, criticou o parlamentar tucano.

Justiça

Ao mesmo tempo, lideranças tucanas avaliam a possibilidade de entrar com um processo contra Odair Cunha na Justiça sob a acusação de que ele divulgou trechos de escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo que estão sob segredo de Justiça. Cunha esteve duas vezes na Justiça Federal de Goiânia em busca de novas gravações feitas durante da Operação. Em uma das visitas, o deputado petista chegou a posar com os envelopes diante das câmeras de televisão.

Nos bastidores, parlamentares governistas afirmam que Odair está sendo pressionado pela direção nacional do PT e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a direcionar as investigações contra o PSDB, em especial o governador de Goiás. O relator da CPI teria inclusive levado uma bronca de Lula em função do desempenho de Marconi em seu depoimento à comissão, no dia 12 de junho. Governo e oposição reconheceram que Marconi saiu-se melhor que Odair.

CPI convoca Cavendish, Pagot e Paulo Preto

FOI A SEGUNDA TENTATIVA DE CONVOCAR O DONO DA DELTA (ESQ); EMPRETEIRA É SUSPEITA DE ENVOLVIMENTO NO ESQUEMA DE CACHOEIRA; EX-DIRETOR DO DNIT, PAGOT JÁ HAVIA DITO QUE GOSTARIA DE FALAR O QUE SABIA À CPI; PRETO TERIA SIDO RESPONSÁVEL POR CONTRATOS FEITOS ENTRE A DERSA, DE SÃO PAULO, E A DELTA

 Agência Brasil - A CPI do Cachoeira decidiu convocar na sessão desta quinta-feira o empresário Fernando Cavendish, presidente afastado da empresa Delta Construções. A empreiteira é suspeita de envolvimento no esquema criminoso atribuído pela Polícia Federal ao empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Além de Cavendish, os deputados e senadores da comissão também convocaram para prestar depoimento o ex-diretor do Departamento Nacional e Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luiz Antônio Pagot, e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa.

Foram aprovados também seis pedidos para a convocação do prefeito de Palmas, Raul de Jesus Lustosa Filho (PT), que apareceu em gravações negociando com Cachoeira. Outro convocado pela comissão é o empresário Adir Assad, dono da empresa Rock Star, que teria recebido repasses de recursos da empresa Delta.

Por duas vezes, as duas convocações foram retiradas de pauta pelo relator da comissão Odair Cunha (PT-MG) que optou por focar as investigações nas relações da Delta na região Centro-Oeste. No entanto, deputados da oposição insistiram com os requerimentos que foram aprovados em bloco.

A convocação de Cavendish significa a ampliação da investigação para a esfera nacional e a oposição quer enfatizar, com isso, os contratos da empreiteira com o governo federal.

Já o depoimento de Pagot passou a ser considerado urgente por alguns integrantes da comissão, após ele ter denunciado, em entrevista à revista IstoÉ, o uso de verbas públicas para formação de caixa 2 de campanhas eleitorais em São Paulo. Já em entrevista à revista Época, ele disse que contrariou interesses do empresário Carlos Augusto Ramos e da Construtora Delta quando estava à frente do Dnit.

Rejeitada convocação do deputado petista José de Filippi Júnior

A convocação do deputado José de Filippi Júnior (PT-SP), exigida pelos deputados e senadores de oposição, foi rejeitada, por 17 votos a 10, na sessão de hoje. O deputado atuou como tesoureiro da campanha da presidenta Dilma Rousseff. A convocação do dele virou uma exigência da oposição quando o relator incluiu no bloco de requerimentos a serem aprovados o nome do engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), ligado ao PSDB de São Paulo.

Também foram aprovados os requerimentos para a convocação dos empresários José Augusto Quintella e Romênio Monteiro Machado. Eles eram donos da empresa Sigma, adquirida pela empresa Delta, investigada pela Polícia Federal como parte do esquema liderado pelo empresário Goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Sardenberg reforça crítica a Lula

COLUNISTA DA GLOBO TRANSFORMA EM SÉRIE SEUS ARTIGOS SOBRE O “CUSTO LULA” E DIZ QUE CONTA PESADA TAMBÉM FOI DEIXADA PARA A VALE.

Já começa a ganhar ares de movimento organizado, contra o ex-presidente Lula, a série de artigos sobre os pepinos que ele teria deixado, ao sair da presidência. Além do artigo de Sérgio Guerra, que aponta “herança maldita” na Petrobras, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, da Globo, decidiu transformar em série suas análises sobre o que chama de “Custo Lula”. No primeiro artigo, ele falou da Petrobras. Agora, debruça-se sobre a Vale. Será que já existe o receio de que Lula volte em 2014? Leia, abaixo, o novo artigo de Sardenberg:


Uma das broncas do então presidente Lula com a Vale estava no assunto siderúrgicas. A companhia brasileira deveria progredir da condição de mero fornecedor de minério de ferro para produtor de aço, tal era o desejo de Lula.

Quando lhe argumentavam que havia um problema de custo para investir no Brasil - e não apenas em siderúrgicas - o ex-presidente apelava para o patriotismo. As empresas privadas nacionais teriam a obrigação de fabricar no Brasil.

Por causa da bronca presidencial ou por erros próprios, o fato é que a Vale está envolvida em três grandes siderúrgicas - ou três imensos problemas - conforme mostra em detalhes uma reportagem de Ivo Ribeiro e Vera Saavedra Durão, no "Valor" de ontem. Em Marabá, no Pará, o projeto da planta Alpa está parado, à espera da construção de um porto e de uma via fluvial, obrigação dos governos federal e estadual, e que está longe de começar. No Espírito Santo, o projeto Ubu também fica no papel enquanto a Vale espera um cada vez mais improvável sócio estrangeiro. Finalmente, o projeto de Pecém, no Ceará, está quase saindo do papel, mas ao dobro do custo original.

E quer saber? Seria melhor mesmo que não saísse. Acontece que há um excesso de oferta de aço no mundo e, mais importante, os custos brasileiros de instalação das usinas e de produção são os mais altos do mundo. Não, a culpa não é só do dólar nem dos chineses. Estes fazem o aço mais barato do planeta, com seus métodos tradicionais. Mas o aço brasileiro sai mais caro do que nos EUA, Alemanha, Rússia e Turquia, conforme um estudo da consultoria Booz.

A culpa nossa é velha: carga e sistema tributário (paga-se imposto caro até durante a construção da usina, antes de faturar o primeiro centavo), burocracia infernal e custosa, inclusive na disputa judicial de questões tributárias e trabalhistas, e custo da mão de obra.

Dados do economista Alexandre Schwartsman mostram que os salários estão subindo no Brasil na faixa de 11 a 12% anuais. A produtividade, estimado 1,5%. Ou seja, aumenta o custo efetivo do trabalho, e mais ainda pela baixa qualificação da mão de obra. Jorge Gerdau Johanpeter, eterno batalhador dessas questões, mostra que a unidade de trabalho por tonelada de aço é mais cara no Brasil do que nos EUA.

Não há patriotismo que resolva. Mas uma boa ação governamental ajudaria. Reparem: todos os problemas dependem de ação política e, especialmente, da liderança do presidente da República. Trata-se de reformas tributária e trabalhista, medidas legais para arejar o ambiente de negócios, simplificar o sistema de licenças ambientais, reforma do Judiciário e por aí vai, sem contar com um impulso na educação.

Se isso não anda, é falha de governo, não do mercado. A crise global é a mesma para todo mundo, mas afeta os países diferentemente, conforme suas condições locais. O Brasil precisaria turbinar os investimentos, mas não há como fazer isso num ambiente tão desfavorável e tão custoso. O governo cai então no estímulo ao consumo e no protecionismo para barrar e/ou encarecer os produtos estrangeiros. De novo, não conseguindo reduzir o custo Brasil, aumenta o custo mundo.

A situação é ainda mais grave no lado dos investimentos públicos. Uma das obras de propaganda de Lula era a Ferrovia Norte-Sul, tocada pela estatal Valec. Pois o Tribunal de Contas da União verificou que o dormente ali saía por R$ 300, enquanto na Transnordestina, negócio privado, ficava por R$ 220.

O atual presidente da Valec, José Eduardo Castello Branco, nomeado há um ano, depois das demissões por denúncias de corrupção, conta ainda que vai comprar a tonelada de trilho por R$ 2 mil, contra o preço absurdo de R$ 3 mil da gestão anterior, que vinha lá do governo Lula.

Claro que um presidente da República não pode saber quanto custa uma tonelada de trilho, muito menos o preço de um dormente. Nem pode acompanhar as licitações. Mas o ritmo "vamo-que-vamo" imposto pelo ex-presidente, junto com o loteamento político das estatais, criou o ambiente para os malfeitos e, mais importante, porque mais caro, para os enormes equívocos na gestão dos projetos.

O diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, general Jorge Fraxe, também nomeado por Dilma para colocar ordem na casa, conta que encontrou contratos de obras no valor de R$ 15 bilhões - ou "15 bilhões de problemas".

Quando o mundo vai bem, todos crescendo, ninguém repara. Quando a coisa aperta, aí se vê o quanto não foi feito ou foi feito errado.

Prisão do homem-forte da Norte-Sul alarma Brasília

À FRENTE DA CONSTRUÇÃO DA FERROVIA NORTE-SUL, JOSÉ FRANCISCO DAS NEVES, DO PR, MONTOU UM PATRIMÔNIO MILIONÁRIO EM GOIÁS; NOMEADO NO GOVERNO LULA E DEMITIDO POR DILMA, “JUQUINHA”, COMO ELE É CONHECIDO, ERA UM DOS PRINCIPAIS ARRECADADORES DE CAIXA DOIS ELEITORAL DO PAÍS E FEZ SEU PRÓPRIO PÉ DE MEIA

 Uma nova operação da Polícia Federal colocou em alerta as autoridades em Brasília. Nesta manhã, foi cumprido mandado de prisão contra José Francisco das Neves, ex-presidente da Valec Engenharia, sua mulher e dois filhos. A Valec é ligada ao Ministério dos Transportes e toca projetos gigantescos, como a Ferrovia Norte-Sul, do Maranhão a Goiás, e o trem-bala.

Ligado ao PR, “Juquinha”, como ele é conhecido, foi nomeado pelo presidente Lula e demitido por Dilma, na época da demissão do ex-ministro Alfredo Nascimento. Na operação, além das prisões, estão sendo apreendidas três mansões no condomínio Alphaville, em Goiânia, avaliadas em R$ 10 milhões. Mas isso é apenas parte do seu patrimônio. “Juquinha” também comprou algumas das maiores fazendas do estado de Goiás, um dos principais polos da pecuária no Brasil.

Sua prisão pode ter impacto, inclusive, na CPI do caso Cachoeira, pois, nesta quinta-feira está sendo votada a convocação de Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Demitido na mesma leva que derrubou Alfredo Nascimento e “Juquinha”, Pagot disse que o PR arrecadou recursos para a campanha presidencial de 2010.

Superfaturamento

A Valec esteve envolvida em diversos episódios de superfaturamento, na construção de trechos ferroviários. No ano passado, o deputado Júlio Delgado (PSB/MG) questionou o Ministério dos Transportes sobre a construção de trechos com custo de R$ 16 milhões por quilômetro em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Recentemente, “Juquinha” adquiriu fazendas avaliadas em mais de R$ 30 milhões, pagando em dinheiro vivo, que foram colocadas em nome da esposa Marivone e dos filhos.

De acordo com o procurador Hélio Telho, do Ministério Público Federal de Goiás, “pela primeira vez o patrimônio de um político que enriqueceu no exercício do cargo é objeto de investigação criminal”.

Além de Alfredo Nascimento, “Juquinha” tinha como um de seus principais padrinhos políticos o sempre presente Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Leia aqui(http://www.brasil247.com/pt/247/goias247/68052/Opera%C3%A7%C3%A3o-da-PF-prende-ex-presidente-da-Valec.htm) matéria sobre a operação publicada no site do Ministério Público de Goiás, com os nomes de todos os envolvidos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Laury Villar será o vice na chapa de Alexandre Cardoso à prefeitura de Duque de Caxias

A aliança Amor por Caxias que tem como candidato o deputado federal Alexandre Cardoso (PSB) à Prefeitura de Duque de Caxias já tem seu vice.

É o ex- vereador Laury Villar, do PDT. Com a indicação do candidato a vice-prefeito, a aliança que é integrada pelo PSB, PDT, PT, PRB, PC do B, PPS e PMN está completa para concorrer à eleição de outubro.

Segundo o candidato Alexandre Cardoso, a contribuição de Laury Villar será grande ao longo de toda a campanha. “Conheço Laury há muitos anos, sei da sua atuação política na cidade que sempre foi marcada pela coerência e respeito à população”, explicou Alexandre Cardoso.

Laury Villar é formado em Administração de Empresas e bacharel em Direito. Foi secretário municipal de Esporte e Lazer, presidiu a Câmara Municipal de Vereadores no biênio 2003/2004 e concorreu em 2010 a uma vaga na Assembleia Legislativa.

“Queremos mudar a história de Duque de Caxias. Este é o momento ideal para isto, por termos o melhor candidato e a melhor proposta de governo. É uma honra ter sido escolhido o candidato à vice- prefeito desta aliança. Estarei ao lado de Alexandre Cardoso nesta campanha mostrando que a cidade irá mudar seu destino. No dia 7 de outubro”, afirmou Laury Villar.










Eleições 2012: Dilma não tem intenção de se envolver em campanha, diz Ideli

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff não pretende se envolver em companha de candidatos da base aliada nas eleições municipais de outubro. Os ministros, porém, foram liberados pela presidenta para que participem de campanhas, desde que fora do horário de expediente. As informações foram passadas pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

“A presidenta tem uma orientação muito clara: eleição é problema dos partidos”, disse. “A presidenta não tem a intenção de se envolver. Ela tem dito reiteradamente que a melhor forma de ajudar na eleição é o Brasil continuar indo bem. Essa é a prioridade”, completou hoje (3) durante encontro com jornalistas no Palácio do Planalto.

Ideli disse que o pedido de Dilma aos ministros é que a militância não atrapalhe as responsabilidades do cargo. “A orientação é a de que fora do horário de expediente cada um que exerça sua militância e que não comprometa as atividades do ministério”, contou.

Campos com seis candidatos à prefeitura nesta eleição

Terminadas as convenções partidárias com vistas às Eleições 2012, em Campos foram definidas uma candidatura puro-sangue e cinco coligações à prefeitura.

Campos de Todos Nós – É formada pelos partidos PR, PTB, PTC, PSC, PRB, PRTB, PHS, PMN, DEM, PP, PSDB, PSB, PTN e PTdoB, que se uniram para apoiar a reeleição da prefeita Rosinha Garotinho (PR) e do vice Dr. Chicão (PP).

Fupo (Frente de Unidade Popular) - Reúne PSol (Partido da Solidariedade/PCB (Partido Comunista Brasileiro)/ PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), que definiu por candidato o médico sanitarista Erik Schunk, e vice o professor Amaro Sérgio.

PC do B/PV - Definiu pela candidatura da professora Odete Rocha (PCdoB) e vice o advogado Andral Tavares Filho (PV). A candidatura sangue-puro é representada pelo empresário José Geraldo Moreira, com a vice a psicóloga Daniele Alcoforado Chagas, ambos do PRP.

Coligações e mudanças

Unidos por Campos – A Coligação Unidos por Campos é formada por PT/PMDB/PSL/PSD, que definiu pela candidatura do médico psiquiatra Makhoul Moussallem (PT) e tem por vice o economista e professor universitário e também sindicalista, Alexandre Delvaux.

A coligação tem ramificações diversas de alianças, a saber: O PT e o PSL são coligados na proporcional (vereador) e na majoritária (prefeito). O PMDB é coligado com o PSD na majoritária e na proporcional, e o PSL e PT são coligados na majoritária e proporcional.

Coração, Liberdade e Esperança - A Coligação Coração, Liberdade e Esperança, formada na majoritária por PDT/PPL/PPS tem por candidato o ex-prefeito Arnaldo Vianna e vice o vereador Rogério Matoso, que é o atual vice-presidente da Câmara Municipal. A coligação receberia apoio do PSD, do deputado estadual Roberto Henriques, que não formou candidatura própria nem montou nominata. Contudo, Henriques aceitou a decisão dos convencionais de apoiar a coligação encabeçada por PT/PMDB.

TSE pede rigor com Ficha Limpa

Carmem Lúcia pede para evitar "fichas sujas". Zveiter fala sobre as zonas de exclusão.
 
Da redação, com Agência Brasil

Em visita ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, pediu aos juízes fluminenses que cumpram a Lei da Ficha Limpa com “todo o rigor”, mas também disse esperar que o eleitor “vote limpo” e evite escolher candidatos fichas sujas.

Durante o encontro, a ministra disse que cinco estados pediram ao TSE autorização para usar tropas do Exército na segurança das eleições municipais deste ano. Ressaltou, no entanto, que o tribunal ainda avaliará os pedidos e conversar com o comando da Força. O Estado do Rio de Janeiro é um deles e Campos está relacionada.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter, afirmou que há uma preocupação no estado com a pressão exercida pelo crime organizado sobre os eleitores, em algumas localidades. De acordo com Zveiter, o TRE estabelecerá zonas de exclusão nas áreas mais críticas do Rio de Janeiro.

ZONAS DE EXCLUSÃO PARA CAMPOS E RIO DAS OSTRAS

Estão previstas zonas de exclusão mesmo em comunidades controladas por unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Municípios do interior, como Campos, Rio das Ostras e Itaboraí, também receberão essas zonas. Também será proibido o uso de aparelhos celulares dentro das seções eleitorais.

A medida visa evitar uma prática comum em zonas dominadas pelo crime organizado no Rio de Janeiro, em que os criminosos exigem que eleitores tirem foto de sua urna eletrônica, para provar que votou no candidato apoiado pelos bandidos.

Zveiter também está apostando no Disque-Denúncia Eleitoral (2524-0404) para evitar ilegalidades. Desde que foi criado, em maio deste ano, o serviço já recebeu 1.380 denúncias de crimes eleitorais, sendo a maioria pelo uso de faixas, cartazes e adesivos de candidatos. A zona oeste da cidade do Rio é o local onde há mais denúncias.

Senado caminha rumo à cassação do senador Demóstenes

Pedido de cassação do mandato de Demóstenes passará pelo CCJ para ser analisado a constitucionalidade do processo.

Na quarta-feira a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do senado dá o penúltimo passo no sentido da cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (Ex-DEM-GO). Depois da aprovação unânime do pedido de perda de mandato de Demóstenes por quebra de decoro pelo Conselho de Ética na semana passada, agora será a vez da CCJ analisar a constitucionalidade e a legalidade do processo.

Na semana passada, o senador Pedro Taques (PDT-MT), indicado relator do caso na Comissão, apresentou seu parecer no sentido de que todo o processo foi legal e que Demóstenes teve direito à ampla defesa. Demóstenes é acusado de usar o mandato para favorecer a organização criminosa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Pelo calendário programado, a intenção dos senadores é votar o processo de cassação de Demóstenes em plenário no dia 11 de julho. Ao contrário do que aconteceu no Conselho de Ética e acontecerá na CCJ, no plenário a votação do destino do senador goiano será secreta. Demóstenes será cassado se assim entender a maioria absoluta dos senadores na votação.

Enquanto desenrola-se o caso de Demóstenes, a CPI do Cachoeira prossegue na investigação do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Esta semana, serão ouvidas outras pessoas ligadas ao governo de Goiás, do governador Marconi Perillo.

Ligações em Goiás

Nesta terça-feira, deporá o ex-presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso. De acordo com a Polícia Federal, ele era um dos intermediários do bicheiro com Marconi e fazia parte da “cota” de Cachoeira na administração estadual. Em uma conversa revelada pelo Congresso em Foco, Marconi telefona para Cachoeira, reclama não ter sido convidado para o aniversário do bicheiro e marca com ele um jantar. Nessa conversa, ele menciona Edivaldo.

Durante o depoimento de Marconi à CPI, o relator Odair Cunha (PT-SP) apresentou uma denúncia protocolada em 2011 que alertava o governador sobre a relação entre Edivaldo e Cachoeira, e que isso poderia lhe causar problemas.

A CPI ainda vai ouvir Rosely Pantoja, dona da Alberto & Pantoja, uma das empresas fantasmas ligadas ao esquema de Cachoeira, usada para receber recursos da construtora Delta. Segundo a Polícia Federal, os recursos depositados nas contas das empresas fantasmas, como a Alberto & Pantoja, teriam abastecido campanhas eleitorais, inclusive a de Marconi Perillo.

Há a possibilidade de haver ainda o depoimento de outra pessoa envolvida com a criação das empresas fantasmas do esquema Cachoeira: o contador Rubmaier Ferreira de Carvalho. Rubmaier está envolvido com a criação de pelo menos duas empresas de fachada do esquema.

Ele admite participação na criação da Brava Construções, mas, como revelou na semana passada o Congresso em Foco, a CPI tem informações de seu envolvimento na criação também de outra empresa, a Adércio & Rafael Construções. O jornalista Luís Carlos Bordoni afirma ter recebido dinheiro em troca de um trabalho na campanha de Marconi Perillo a partir da Alberto & Pantoja e da Adércio & Rafael.

A CPI também ouvirá o policial aposentado Joaquim Gomes Thomé. Segundo a PF, Cachoeira contratou Thomé para realizar serviços de interceptação ilegal de e-mails. Suspeita-se que políticos e jornalistas eram as vítimas dos grampos feitos por Thomé.


Entrada da Venezuela no Mercosul acontecerá no fim do mês

O ingresso da Venezuela no Mercosul foi aprovado na semana passada, como resposta ao impeachment de Fernando Lugo, no Paragua 

O ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul vai ocorrer oficialmente no dia 31 de julho, em uma cerimônia no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina, em uma nota publicada na noite de segunda.

A cerimônia, ainda não confirmada, deve contar com a presença dos presidentes dos países-membros do bloco comercial: Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil), José Mujica (Uruguai) e Hugo Chávez (Venezuela).

O ingresso da Venezuela no Mercosul foi aprovado na semana passada, como resposta ao impeachment de Fernando Lugo, no Paraguai, único país que não havia aprovado a entrada de Caracas ainda.

Lugo foi destituído do cargo em menos de 30 horas pelo Congresso paraguaio. Como repúdio ao acontecimento, o Mercosul resolveu suspender o Paraguai do bloco até as próximas eleições e aprovar a entrada da Venezuela.





Incendiários da Era Collor hoje são bombeirinhos

MARIO SERGIO CONTI, AUTOR DE NOTÍCIAS DO PLANALTO, ESCREVE POSFÁCIO EM QUE APONTA, UM A UM, O QUE FAZEM HOJE OS JORNALISTAS MAIS DESTACADOS NA COBERTURA DO IMPEACHMENT DE FERNANDO COLLOR; E REVELA QUE FOI DEMITIDO DO CARGO DE DIRETOR DE REDAÇÃO DA REVISTA VEJA PELA PUBLICAÇÃO DO LIVRO


 Chefe duro em seus tempos de Veja, de sorriso econômico e exigência crescente, o jornalista Mario Sergio Conti mais uma vez pegou seus antigos repórteres – e outros que não trabalharam diretamente com ele – no pulo. Autor do referencial Notícias do Planalto, livro que consolidou os bastidores da queda do então presidente Fernando Collor de Mello, ele agora produziu, 13 anos depois do lançamento, um posfácio no qual se dedicou a apontar, um a um, o que fazem hoje aqueles heróis do jornalismo verde-amarelo-azul anil, briosos jovens incorruptíveis, empurrados pela mais limpa das energias, a que mistura impetuosidade, ética, técnica e, claro, um pouquinho de vontade de sentir o gosto de sangue na boca.

O que se vê, na apuração de Mario Sérgio, é que todos aqueles profissionais da notícia, sem exceção, "agora são assessores de comunicação, relações-públicas e publicitários. Ministram media trainning. Redigem discursos. Burilam a imagem pública de sua clientela e alardeiam seus feitos. Gerem gabinetes de crise contratados por gente de bens denunciada nos órgãos de imprensa nos quais antes trabalhavam. Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro". É o que está registrado no posfácio reproduzido, em forma de reportagem, na edição número 70 da revista Piauí que chegou às bancas nesta terça-feira 3. Quem era incendiário, resumindo, virou bombeirinho.

No sexto parágrafo de quarenta e dois, Mario Sergio lembra quais eram os solertes profissionais e o que fazem hoje. Reproduzindo: "Luís Costa Pinto, que fizera a entrevista na qual Pedro Collor acusava Paulo Cesar Farias de ser testa de ferro de seu irmão, tornou-se consultor. Prestou serviços ao deputado João Paulo Cunha, réu do mensalão, e a Agnelo Queiroz, governador de Brasília cuja administração foi acusada de relacionamento espúrio com o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Cachoeira. Mino Pedrosa descobrira o motorista Eriberto França, que comprovou o elo econômico entre Paulo César Farias e o presidente. E posteriormente ele trabalhou na primeira campanha de Fernando Henrique Cardoso, e foi assessor de Roseana Sarney e Joaquim Roriz, o ex-ministro de Collor que renunciou ao Senado ao ser apontado como corrupto. A sua agência de comunicação prestou serviços a Carlos Cachoeira. Mario Rosa, que revelara as desgraças da Legião Brasileira de Assistência presidida por Rosane Collor, virou gerente de crises. Ele participou de campanhas eleitorais e foi consultor de Ricardo Teixeira, quando este era presidente da Confederação Brasileira de Futebol, e de Daniel Dantas, dono do banco Opportunity. Assim como Costa Pinto, Rosa foi contratado por Fernando Cavendish, ex-proprietário da empreiteira Delta, implicada nas traficâncias de Cachoeira. Expedito Filho relatara o exibicionismo da corte collorida e relatara as acusações de Renan Calheiros ao presidente, e passou a atuar em relações públicas. Gustavo Krieger, que levantara os gastos do porta-voz Cláudio Humberto Rosa e Silva num cartão de crédito, foi chamado a dirigir a campanha publicitária de Gabriel Chalita, do PMDB, à prefeitura paulistana".

O autor do livro e seu posfácio despeja mais munição – 73 linhas na medida da revista Piauí – sobre o marqueteiro petista João Santana. "Exemplar tanto do abandono do jornalismo quanto da nova configuração político-publicitária é a trajetória de João Santana Filho", inicia Mario Sergio. "Ele contou a Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, que recebeu 13,750 milhões de reais pela reeleição de Lula", repete o autor, seguindo com o currículo de marqueteiro do ex-editor da seção de Política da revista Istoé.

Ao final do posfácio, Mario Sergio garante que Notícias do Planalto realmente mudou a sua vida. O pé do texto é assim:

"De todo modo, ninguém perdeu o emprego por ter escrito isso ou aquilo de Notícias do Planalto. Exceto o autor do livro. Trabalhei quinze anos em Veja, e nos quase sete em que fui seu diretor de redação a tiragem dela passou de 900 mil para 1.250 milhão de exemplares semanais. Preparava na Editora Abril uma revista mensal de reportagens e artigos, para um público menor, quando o livro saiu, o que fez com que eu fosse demitido de pronto e o projeto cancelado", narra para, dali em diante, mostrar seu currículo de sempre jornalista, jamais marqueteiro. Vale, ainda, registrar o fecho:

"Aprendemos com o passado? Quiçá. Como disse outro poeta, T.S.Eliot:

O tempo presente e o tempo passado

Estão ambos presentes talvez no tempo futuro,

E o tempo futuro contido no tempo

passado".